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terça-feira, 11 de outubro de 2011

A injustificável fúria de Abelão no Fla-Flu

Melhor durante todo o jogo, o Fluminense, de virada, acabou levando a pior para o Flamengo no Fla-Flu de domingo: 3x2 para o Rubro-Negro. Revoltados, Abel Braga e seus comandados não pouparam críticas ao árbitro.


O Fluminense pressionava o rival e, de cabeça, chegou ao primeiro gol com Rafael Sóbis. Seguiu pressionando, esteve mais perto de fazer o 2º do que de levar o 1º, mas acabou sofrendo o empate, vindo dos pés de Thiago Neves, agora do outro lado. O Flu não desanimou, continuou soberano e ficou, novamente, na frente do placar com Lanzini, mais uma vez de cabeça. Foi então que Bottinelli começou seu show particular e comandou a virada. O meia argentino, de muito longe, acertou bela cobrança de falta. A bola bateu na trave, voltou no corpo de Diego Cavalieri e entrou. Cerca de 5 minutos depois, o mesmo jogador converteu um belo arremate de fora da área e deu números finais ao clássico carioca. Veja os melhores momentos:


A grande polêmica da partida, que rendeu tantas críticas, foi a falta que originou o 2º gol do Fla, a qual os tricolores atribuíram à má intenção do juiz, teoricamente interessado em beneficiar os flamenguistas. A falta, realmente, não existiu, mas não era um lance simples. Dependendo do ângulo, de fato, dava a impressão de ter acontecido a infração. De qualquer forma, se houvesse interesse real em beneficiar um dos lados, qual o sentido de assinalar uma falta de tão longa distância? As reclamações foram exageradas. Abaixo, uma das críticas do treinador:


Convenhamos, também, que a ira do Tricolor não foi com o árbitro, mas consigo mesmo. Era raiva por ter perdido um jogo que deveria ter vencido. Um jogo no qual foi melhor. Um jogo com a casa cheia. Um jogo contra o maior rival. Um jogo em que o Flamengo estava mutilado, sem Ronaldinho, Willians e Aírton, por exemplo. Um jogo que os lançaria fortes à candidatura para o título do Brasileiro. Um jogo que foi perdido em 5 minutos, com dois gols de muito longe. Um jogo em que esses gols foram marcados por um reserva, que entrou no início do 2º tempo. Um jogo que... "Chega!", diria um tricolor não suportando mais as vozes ecoando em sua cabeça. E assim ocorreu no domingo. Os tricolores não aguentaram a frustração da inexplicável perda e atacaram o lado mais frágil - a arbitragem - atribuindo à ela a culpa pelo fracasso.

Bottinelli comemora um de seus gols pelo Flamengo no domingo.
O que significa o resultado de domingo para os dois clubes:

Independente do placar desse jogo, as duas equipes ainda estão na briga pelo título. Claro que um se aproximou do líder e outro se afastou, mas ambos ainda estão na luta. Não quer dizer que serão campeões. E até acredito que, realmente, não sejam. Mas têm chances.

O Fluminense ficou a 7 pontos de diferença para o 1º colocado Corinthians, mas apresentou um bom futebol. Não ter vencido foi uma fatalidade. Certamente, se continuar a jogar bem, os resultados virão e, com eles, uma ascensão na tabela, levando o Tricolor a disputar o bicampeonato consecutivo. Vale ressaltar que o Flu é o líder do 2º turno, com 19 pontos conquistados.

Já o Flamengo, o oposto. O time não jogou bem, porém conseguiu os 3 pontos. E tem conseguido. O time de Vanderlei Luxemburgo vem crescendo em um momento crucial da competição e está a 4 pontos do Timão. O Rubro-Negro voltou a não perder. São 5 jogos sem ser derrotado: 2 empates e 3 vitórias (nos 3 últimos confrontos). Vale lembrar que o Flamengo de 2009 foi o único clube na história dos pontos corridos que conseguiu tirar uma diferença tão grande em tão pouco tempo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em quem pôr a culpa?

A rodada passou e a liderança foi embora. Torcedores mais exaltados e mais apreensivos a cada jogo, inconformados com outra derrota pesada do time que torcem (para ver todas elas, clique aqui), procuram os culpados pelo resultado negativo e esquecem-se da normalidade que é perder para o Internacional no Beira-Rio, um resultado já previsto na chamada classificação planejada.

A apenas um ponto de distância do líder, o Vasco (50) continua na briga pelo título do Brasileiro. Poderá perdê-lo. Mas também poderá ganhá-lo. Em caso de a conquista escapar, não será por conta do jogo de ontem ou de uma eventual derrota para o rival Flamengo na última rodada, como já especulam. Será por culpa daquele Vasco 1 x 1 Figueirense (4ª rodada), em São Januário, que teve gol de Aloísio aos 44' do 2º tempo. Será por culpa daquele Grêmio 1 x 1 Vasco (5ª rodada), com gol de Roberson aos 39' do 2º tempo. Será por culpa do 1x1, em casa, contra o Bahia (12ª rodada). E será por culpa de uma série de outros tropeços que um time que ambiciona a conquista nacional não pode ter. Um time com esse desejo não pode perder pontos para Figueirenses, Bahias e Américas (4x1), por exemplo.


"E o Vasco perdeu esses pontos por culpa do Cristóvão Borges, que não sabe mexer; Marcio Careca, que é o pior lateral-esquerdo do mundo; e Victor Ramos, reserva do Renato Silva", dirá esse mesmo grupo de torcedores exaltados com a emoção da derrota e cegueira da paixão pelo clube do coração.

Não foi por isso. O Vasco é, hoje, reconhecidamente, um time de futebol coletivo. Só quando o time inteiro vai bem, as qualidades individuais sobressaem, como já falava Ricardo Gomes. O time ganha e perde junto. Assim, seria injusto individualizar as responsabilidades.

Nota: Antes de prosseguir, uma pequena nota para críticos do interino. Cristóvão Borges assumiu o Vasco exatamente no início do 2º turno. Pegou o time quando era o 4º colocado, disputada toda a 1º parte do Brasileiro. Hoje, analisando-se apenas a tabela deste turno, o Vasco também é o 4º, da mesma maneira que Ricardo Gomes havia deixado. Somadas as campanhas dos dois turnos, o Cruzmaltino é o 2º na tabela.


Da mesma forma que Márcio Careca errou (e muito) contra o Corinthians, no 2x2 dentro de São Januário, rendendo-lhe sonoras vaias, Alecsandro - um dos heróis na final contra o Coritiba que rendeu o inédito título da Copa do Brasil - também falhou ao errar um tolo e inoportuno passe de calcanhar, que originou o 2º gol do rival, nesse mesmo duelo.

Diego Souza e Eder Luis, alguns dos pilares da boa campanha vascaína, erraram ao longo do Campeonato. O camisa 10 chutou os 3 pontos em cima do goleiro do Figueirense (23ª rodada), aos 45' do 2º tempo. O jogo acabou empatado por 1x1. Na 25ª, perdeu gol claro acertando a trave, de cabeça, no empate de 1x1 com o Atlético-GO, em São Januário. Nessa mesma partida, Eder Luis perdeu oportunidade claríssima de gol. Na sequência, Anselmo abriu o placar para o visitantes. Falha de marcação na zaga.

Até Dedé e Fernando Prass, que salvam diariamente o clube que defendem as cores, erraram. Naquela derrota de 3x0 para o Cruzeiro, em São Januário, o lance que originou o escanteio aconteceu após lambança de Prass. Na cobrança, falha de posicionamento defensivo. Já o 2º gol nasceu em cima do "Mito", em uma das raras vezes que foi batido (única que me recordo).

Quando o futebol do time flui, Diego Souza é capaz de se destacar e fazer 3 fantásticos gols, como ocorreu contra o Cruzeiro, em Sete Lagoas (3x0 para o Vasco). Ou contra o Santos, em São Januário, na vitória por 2x0 com um gol dele e outro de Dedé. Quando não flui, os mais habilidosos parecem apagar seus talentos com a bola e aprimorar outro tipo de dádiva, mais parecida com a camuflagem. Viram uma espécie de atores com medo do espetáculo e confundem-se com a grama, passando quase despercebidos pelo respeitável público.

O que acontece no Vasco não é única e exclusiva responsabilidade de A, B, C ou D. É resultado de um trabalho de todos. As obrigações ofensiva e defensiva começam onde está Fernando Prass e vão até Elton ou Alecsandro, de norte a sul do gramado. Espande-se de leste a oeste. Fazem parte das tarefas de cada jogador. A preocupação com a defesa começa no ataque e a mentalidade de atacar começa na defesa. No Vasco, como já dizia o jornalista e blogueiro Claudio Fernandez, é "um por todos e todos por Ricardo Gomes".

domingo, 9 de outubro de 2011

De volta às goleadas

O Vasco é um dos times que menos perdeu no Brasileiro. Até agora, soma 6 derrotas - mesmo número que o 9º colocado Palmeiras. Nesse quesito, só o Flamengo está melhor, tendo perdido apenas 5 dos seus 28 jogos disputados. No entanto, quando perde, o Cruzmaltino é, quase sempre, goleado por seus adversários. Veja abaixo:

3ª rodada: Coritiba 5 x 1 Vasco (ambos os clubes usaram times reservas)
7ª rodada: Vasco 0 x 3 Cruzeiro
8ª rodada: Corinthians 2 x 1 Vasco - única exceção
15ª rodada: Botafogo 4 x 0 Vasco
21ª rodada: América-MG 4 x 1 Vasco
28ª rodada: Internacional 3 x 0 Vasco

Em outras palavras, 83,33% das vezes que perdeu, o Gigante da Colina foi goleado. Também em 83,33% mereceu perder por um dilatado placar, pois foi nitidamente inferior que o adversário. Contra o Cruzeiro, em São Januário, foi superior. E só. De resto, as pesadas derrotas foram, no mínimo, justas.

Hoje, a superioridade colorada foi tanta que nem os dois erros capitais da arbitragem de Alício Pena Júnior são capazes de desmerecer o jogo feito pelos comandados de Dorival Júnior. Pelo contrário. Os jogadores do Inter mereciam um juiz que tivesse assinalado o pênalti claro sofrido por Diego Rosa e não marcasse a falta inexistente que originiou o 2º gol do time da casa. Venceriam da mesma maneira, mas sem as manchas deixadas pelo árbitro.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Partidas nada fabulosas

No último domingo, às 16h00m, quando o São Paulo enfrentou o Flamengo, o Morumbi se agigantou para receber a reestréia de um de seus ídolos, Luis Fabiano, o qual também atende pelo nome de Fabuloso. Os torcedores do Tricolor lotaram o estádio, mas não gostaram do que viram, certamente. O Rubro-Negro derrotou os paulistas por 2x1 e o atacante teve discreta atuação.

Contratado em março deste ano por 7,6 milhões de euros, através de uma ousada estratégia montada pelo departamento de marketing do clube, o jogador acertou por 4 anos e teve 100% do seu passe comprado pelo São Paulo, que há tempos sonhava com esta contratação. No entanto, sua volta aos gramados só pode ocorrer neste mês de outubro, pois, desde 06 de março, quando ainda era atleta do Sevilla (onde jogava desde 2005), estava lesionado.




Hoje, contra o Cruzeiro, no empate de 3x3 em Sete Lagoas, o atacante perdeu um pênalti e escorregou na hora de tentar evitar o chute de Charles, no momento do 2º gol cruzeirense. Apesar de ter dado o passe para o gol de Cícero, o 1º do São Paulo, Luis Fabiano acabou saindo, novamente, com saldo negativo.

A qualidade de Luis Fabiano é, praticamente, indiscutível. Homem-chave da seleção brasileira na Era Dunga, 12º maior artilheiro da história são-paulina (119 gols em 160 jogos) e goleador em tempos de Sevilla. Natural uma quebra de ritmo. O atacante está se readaptando ao futebol brasileiro e voltando de uma longa lesão.

Porém, com o São Paulo disputando o título (3ª posição com 47 pontos) e passada a 28ª rodada, ou seja, faltando apenas mais 10 jogos para o campeão brasileiro ser conhecido, é essencial que o rendimento do jogador melhore o quanto antes. O Tricolor Paulista é extremamente dependente dos lampejos de brilhantismo da promessa-realidade Lucas e de Dagoberto, encobertos por um esquema com 3 volantes que os dá liberdade ofensiva. O último está, possivelmente, de saída do time paulista e tem sido especulado no Internacional. Dagol, inclusive, marcou nas duas últimas partidas, que contaram a participação de Fabuloso. O retorno do velho futebol de Luis Fabiano diminuiria a grande responsabilidade da dupla são-paulina e fortaleceria a candidatura ao título dos tricolores, em busca do hepta nacional.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cariocas prejudicados no Brasileiro

Na última quinta-feira, por volta de 11h00m, em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro - mais precisamente o Sheraton - Mano Menezes divulgou a lista dos convocados para os amistosos contra Costa Rica e México. Confira os selecionados:

Goleiros: Júlio César (Internazionale-ITA), Jefferson (Botafogo) e Neto (Fiorentina-ITA)
Zagueiros: Thiago Silva (Milan-ITA), David Luiz (Chelsea-ING), Dedé (Vasco da Gama) e Réver (Atlético-MG)
Laterais: Daniel Alves (Barcelona-ESP), Fábio (Manchester United-ING), Marcelo (Real Madri-ESP) e Adriano (Barcelona-ESP)
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool-ING), Fernandinho (Shakthar-UCR), Sandro (Tottenham-ING), Elias (Sporting-POR), Hernanes (Lazio-ITA) e Luiz Gustavo (Bayern de Munique-ALE)
Meias: Lucas (São Paulo), Oscar (Internacional) e Ronaldinho Gaúcho (Flamengo)
Atacantes: Neymar (Santos), Fred (Fluminense), Hulk (Porto-POR), Jonas (Valencia-ESP) e Kléber (Porto-POR)

Iniciada a coletiva, após a relação de jogadores chegar ao conhecimento da imprensa, Mano Menezes tratou, imediatamente, de esclarecer que, para não prejudicar em demasia os clubes no Campeonato Brasileiro, estava chamando, apenas, um jogador de cada time. Ao todo, 8 atletas que atuam no Brasil vindos de 8 equipes diferentes. Até aí tudo bem. À primeira vista, um pensamento bem razoável. Porém, à uma segunda análise, algumas polêmicas.

1) A ausência de jogadores do Corinthians:

O primeiro grande detalhe notado foi a ausência de corintianos na convocação. Normalmente chamados pelo treinador do Brasil, desta vez, nenhum foi incluído. Retirando o Timão, todos os 7 primeiros do Brasileirão tiveram um convocado, o que agrava as desconfianças de um possível favorecimento à equipe do Parque São Jorge, já que a mesma poderá jogar completa, enquanto os concorrentes ao título terão desfalques importantes.

Não creio que Mano tenha agido de má fé. A maioria dos jogadores de times brasileiros que foram lembrados merece estar na Seleção. Desta lista, poucos são os questionáveis. Diria que apenas dois: Réver e Fred.

Nota: Mano justificou que não convocou Lúcio para dar uma continuidade na Seleção a David Luiz, que, no início, vinha fazendo boa dupla com Thiago Silva. Segundo ele, não faria sentido convocar o veterano do Internazionale para que não jogasse. Assim, pode-se explicar a convocação de Réver, já que Dedé vem sendo lembrado.

Ralf, do Timão, vinha sendo chamado para substituir Sandro, do Tottenham-ING. Como o volante do clube inglês voltou de lesão, passou a ser chamado novamente, o que demonstra coerência por parte do treinador e explica a falta de atletas do time paulista na Seleção. De qualquer forma, é uma polêmica que poderia ter sido evitada.


2) O calendário do Brasileirão:

Esse sim é o pior, na minha opinião. Possivelmente, feito de má fé. Vasco, Botafogo e Flamengo jogarão, conforme a CBF divulgou, no dia 12 de outubro, ou seja, um dia após o amistoso contra o México (dia 11). Dessa forma, os atletas cedidos pelos 3 não terão tempo hábil de voltar aos seus clubes e disputar os jogos do Brasileirão. Já os outros 5 (São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Santos e Internacional) atuarão, somente, no dia 13, sendo possível a participação desses jogadores cedidos. Logo, o trio do Rio de Janeiro sai, claramente, prejudicado em relação aos demais e em um momento crucial da competição. Do Estado, só o Flu escapou.

Obviamente, a rodada deveria ser disputada no mesmo dia por todos. Jefferson perderá a partida contra o Corinthians, Ronaldinho ficará de fora do confronto com o Palmeiras e Dedé perderá o duelo com o Atlético-PR. Ricardo Teixeira vai ficar devendo uma explicação.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF: muito o que explicar.
Nota: O caso do goleiro botafoguense é ainda mais curioso, pois Mano Menezes convocou 3 jogadores para a posição. Dentre eles, Neto, da Fiorentina-ITA. O presidente Maurício Assumpção comentou sobre o assunto e faço minhas as palavras do mesmo:
— Questiono a decisão do Mano de levar três goleiros. Ele já está levando o Julio Cesar e, se quer testar aquele outro lá de fora (Neto), por que então chamou o Jefferson? Num momento importante, perco o meu goleiro em dois jogos decisivos (Bahia e Corinthians). Se é para ficar lá treinando, prefiro que treine aqui comigo.



Veja outras declarações:

José Hamilton Mandarino, vice de futebol do Vasco da Gama:

— Acho que esse critério, ou não critério, foi surpreendente. Estamos entrando num momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Alguns dos principais protagonistas contribuem com um jogador para a seleção, e a exceção fica por conta do Corinthians. Vou fazer uma crítica agora suave: acredito que houve uma enorme desatenção por parte do Mano Menezes.


Isaías Tinoco, gerente de futebol do Flamengo:

— Não estou sugerindo que o Mano Menezes é desonesto, mas acho que ele poderia evitar essa polêmica. O Corinhtians está sendo beneficiado e o Flamengo perde a sua principal peça

Peter Siemsen
, presidente do Fluminense (e único a não entrar na polêmica):

— Se o Corinthians não tivesse nenhum jogador convocado e o Mano levasse três do Fluminense, eu ficaria revoltado. Mas, como não é o caso, o Mano tem o meu apoio, embora eu admita que essa convocação enfraquece o elenco do Fluminense

A confirmação do calendário dos jogos foi feita em uma sexta-feira, dia 23/09. As declarações foram do dia 24/09. Daí, talvez, explique-se o comentário de Peter Siemsen, diferente dos demais, os quais criticaram a convocação. Embora eu ache que não, posso estar me equivocando.
 
E você, o que acha? Não estariam, realmente, os 3 times cariocas sendo prejudicados?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Internazionale de Gasperini

Já faz quase 2 meses que o Inter de Milão não sabe o que é vencer. A última vitória foi no dia 30 de julho, por 2x0, contra o Celtic, em um jogo amistoso. Considerando, apenas, os confrontos válidos por competições nacionais ou européias, tem quase 4 meses (dia 29/05, por 3x1, contra o Palermo). Desconsiderando os amistosos, o time ainda não venceu na temporada e amarga um início catastrófico sob o comando de Gasperini, que adotou o esquema 3-4-3. São 4 derrotas e 1 empate.

30/07 - Amistoso: Internazionale 2 x 0 Celtic
31/07 - Amistoso: Internazionale 0 x 3 Manchester City
06/08 - Supercopa da Itália: Internazionale 1 x 2 Milan
21/08 - Amistoso: Internazionale 2 x 2 Olympiakos
11/09 - Série A: Palermo 4 x 3 Internazionale
14/09 - Copa dos Campeões: Internazionale 0 x 1 Trabzonspor
17/09 - Série A: Internazionale 0 x 0 Roma
20/09 - Série A: Novara 3 x 1 Internazionale

Sob forte pressão, Gasperini não deve durar até a próxima partida do Internazionale.
No jogo de ontem, contra o Novara, os titulares do treinador foram: Júlio César; Chivu, Ranocchia e Lúcio; Nagatomo, Sneijder, Cambiasso e Zanetti; Forlán, Milito e Castaignos. O esquema foi o mesmo das últimas partidas, o 3-4-3. Aquele que Guardiola utilizou contra o Villarreal. A única diferença é que no Barcelona deu certo e no Inter não.

Em um 3-4-3 bem jogado, o zagueiro do centro, o jovem Ranocchia, no caso, contratado por 12,5 milhões de euros junto ao Genoa, jogaria um pouco mais recuado que os demais (na cobertura), os quais avançariam um pouco para marcar à frente. Ou o contrário. O mesmo Ranocchia poderia avançar um pouco, como se fosse um cabeça-de-área, e deixar os outros dois (Chivu, na esquerda, e Lúcio, na direita) mais recuados. Não foi isso que aconteceu. Os 3 defensores jogavam em linha e, constantemente, levavam bola nas costas (linha defensiva alta). O goleiro Júlio César era quem tinha que se antecipar e fazer o papel de líbero para cobrir os espaços deixados atrás de sua zaga.

O meio-campo do Barcelona que obteve sucesso foi formado em losango, com Keita mais atrás protegendo a zaga. Fàbregas na esquerda, T. Alcântara na direita e Iniesta à frente. No Inter, as mesmas funções deveriam ficar distribuídas, respectivamente, para Cambiasso, Nagatomo, Zanetti e Sneijder. No entanto, os jogadores do time italiano não tiveram a mesma facilidade que os barcelonistas de se adequar às novas funções, o que evidencia o grande trabalho que Guardiola vem fazendo. Em um esquema que a capacidade de desempenhar várias funções é imprescindível, o Internazionale não se mostra capaz de ir adiante. Seu elenco não está acostumado à tanta versatilidade. Já o Barça vem implantando essa filosofia há alguns anos até que atingiu o nível exemplificado na estréia do Espanhol.

A falta de entrosamento foi notável. A equipe errava muitos passes e não criava jogadas de perigo. No gol, foram 9 finalizações do Novara contra 2 do Internazionale. O time estava completamente desorganizado em campo com a formação adotada.

A dupla de "volantes" Sneijder e Cambiasso parecia perdida. Os dois erravam muitos passes e não sabiam onde se posicionar. O primeiro não conseguia nem marcar, nem criar as jogadas. Enquanto isso, o esquema 4-3-3 do adversário dava muito trabalho. Com 3 atacantes - dois deles bem abertos (Marimoto e Meggiorini) - o Novara criava situações de um contra um e explorava bem a linha defensiva alta adversária. Observe nos melhores momentos abaixo:


É perceptível, também, a incapacidade dos meias que ocupam as pontas de cobrir os flancos. Assim, as laterais se tornavam avenidas propícias para os adversários atacarem, originando situações de perigo. O 3º gol, originado na direita, em jogada de Marimoto é um claro exemplo. Nagatomo e Zanetti não acompanhavam o suficiente e o trabalho de marcação estava sobrecarregado em cima dos meias centrais, os quais não conseguiam se encaixar. O inter ficou em inferioridade numérica no ataque, meio e defesa, pois o rival era muito mais organizado defensiva e ofensivamente. Veja na foto abaixo como Sneijder e Cambiasso retornam sobrecarregados. Os jogadores dos flancos não chegam nem a aparecer na foto. Ao mesmo tempo, Lúcio (o zagueiro que está mais em cima da imagem) está muito longe do atacante na entrada da área.


Com a série de resultados ruins e o time jogando mal (8 jogos, 15 gols sofridos, 9 marcados), perdendo para um modesto Novara, que não atuava na Série A desde a década de 50, e - em casa - para o Trabzonspor, parece muito provável que Gasperini mude a tática da equipe, pois está óbvio que seus comandados não estão respondendo da forma correta sob esta formação. Isso, é claro, se ele durar até a próxima partida. E parece provável que não dure. Como o próprio Moratti falou: "Gasperini não tem o time na mão".

domingo, 18 de setembro de 2011

O jogo do inacreditável

Neste domingo, 12h00m do horário de Brasília, o Manchester United derrotou o Chelsea em Old Trafford (3x1), pela 5ª rodada da Premier League. Ao final do primeiro tempo, os donos da casa já tinham aberto uma confortável vantagem de 3 gols de diferença. Incrivelmente, o dilatado e expressivo placar não condizia com o que era a partida. Difícil imaginar que uma equipe que está a vencer por 3x0 foi dominada durante toda a primeira etapa. Confira os números do 1º tempo:

Dados Manchester United Chelsea
Finalizações (no gol) 4 (3) 12 (5)
Faltas cometidas 5 8
Escanteios 1 3
Posse de bola 56% 44%

Como os próprios números mostram, os únicos 3 chutes do Manchester que foram na meta, foram gols. E eles aconteceram em ocasiões isoladas, nas poucas oportunidades que os "red devils" tiveram. Bom aproveitamento da equipe de Sir Alex Ferguson, a qual chegou aos 21 marcados em 5 partidas do Campeonato Inglês.Veja os gols:


Os 5 jogadores de meio do Chelsea, que jogou no 4-2-3-1, povoavam bem o campo de defesa do adversário. Ramires e Raul Meireles faziam a dupla de volantes atrás, Lampard ficava mais à frente centralizado, Mata era o ala-esquerda e o atacante Sturridge atuava aberto na ala-direita. Fernando Torres era a referência no ataque. Veja a escalação: Cech; Ashley Cole, Ivanovic, John Terry e Bosingwa; Ramires e Raul Meireles; Mata, Lampard e Sturridge; Fernando Torres.

A inferioridade numérica no meio-campo gerava problemas ao United, que foi a campo em um 4-4-2. De Gea; Evra, Evans, Phil Jones e Smalling; Ashley Young, Anderson, Fletcher e Nani; Rooney e Javier Hernandez. Esses foram os 11 titulares nesta partida. Com dificuldades de sair da marcação pressão exercida pelos "blues", os quais pressionavam a saída de bola com seus jogadores de frente, o Man U achou um gol logo no início, aos 7 minutos, originado por uma cobrança de falta de Ashley Young. O ponta-esquerda cruzou na medida para Smalling - impedido - cabecear.

O Chelsea mantinha o estilo de jogo e quase chegou ao empate. Ramires recebeu belo passe de Torres e perdeu chance incrível. Já o Manchester não desperdiçava. Nani recebeu boa inversão de jogo na direita, conduziu a bola para o meio e soltou uma bomba indefensával para Cech, de fora da área. 2ª chegada dos "reds", 2º gol. Nota-se que, no início da jogada, Nani também estava em posição irregular. De novo, o bandeirinha não viu e nos primeiros 45 minutos nenhum impedimento foi assinalado.

O dia não era mesmo dos "blues". Antes do fim do 1º tempo, o Man U ainda faria outro. Tentando afastar o perigo, John Terry - caído - chutou a bola, dentro da área, em Nani, o qual - sem querer - acabou assistindo para o gol de Wayne Rooney. 9º gol do atacante em 5 jogos da Premier League. Quase dois por partida. A derrota pesada não refletia o que era confronto.

Para o 2º tempo, o técnico André Villas-Boas retirou Lampard e voltou ao gramado com Anelka em seu lugar. A alteração deslocou Mata da esquerda para o centro, como organizador de jogo, e moveu Anelka para a posição do espanhol. Deu certo. Com 30 segundos de bola rolando, o francês deu belo passe entre os zagueiros para El Niño finalizar com categoria por cima do goleiro De Gea.

A substituição deixou os londrinos mais expostos e o time de Manchester começou a ter mais oportunidades de gol. Mais ofensivo, o Chelsea dava mais espaços para o Man U atacar. O inspirado Nani aproveitou essas chances e, em outra bomba de fora da área, acertou o travessão. No rebote, sofreu um pênalti. Rooney foi cobrar, escorregou e isolou a chance do United de matar a partida. Inacreditável. Veja o vídeo:


Rooney escorrega e desperdiça pênalti sofrido por Nani.



Sem sofrer o 4º, o Chelsea continuava vivo e poderia continuar sonhando com a busca do empate ou até da virada. Foi o que tentou fazer, mas a bola não entraria. Torres - que se movimentava bem, marcou bonito gol, deu passe excelente para Ramires, finalizava com perigo e fazia sua melhor partida com a camisa azul - voltou a ser aquele atacante questionado, o qual não justifica o investimento milionário que foi feita em cima de sua contratação - 6ª maior da história. Para quem achou incrível a penalidade de Wayne Rooney, o gol perdido por Torres foi inexplicável. Inadmissível para um camisa 9 do Chelsea que custou 58 milhões de euros. Sem goleiro, finalizou para fora.

Gol perdido por Fernando Torres arranca risos dos torcedores do Manchester em Old Trafford. Atacante se lamenta em campo.
O chute para fora, aos 83 minutos, destruiu a atuação segura do espanhol, que não marcava desde abril. Veja abaixo o vídeo da chance perdida por El Niño:


Ainda havia tempo para mais. Berbatov, um dos artilheiros da última Premier League e atual reserva do Manchester, entraria em campo no lugar de Chicarito para se juntar ao seleto grupo comandado por Ramires, Rooney e, claro, Fernando Torres. O búlgaro, já nos últimos minutos de jogo, recebeu ótimo passe do camisa 10 dos "red devils" e finalizou fraco, sem goleiro. Ashley Cole chegou a tempo de cortar e evitar um placar mais elástico. Veja:

O movimentadíssimo clássico inglês entre "reds" e "blues" assim terminou: 3x1 para um Manchester United que, quando foi dominado inteiramente pelo adversário, marcou 3 gols. Quando equilibrou a partida, sofreu 1 e não converteu. Nem quando teve pênalti a seu favor e chance clara sem goleiro. Assim como fez Torres, minutos antes. Jogaço que leva o Man U para a ponta da tabela: 5 jogos, 5 vitórias, 21 gols marcados, 4 sofridos. 100% de aproveitamento e líder isolado, já que o rival da mesma cidade, Manchester City, cedeu o empate de 2x2 para o Fulham, depois de estar ganhando por 2x0. O Chelsea fica em 3º lugar, com 10 pontos. Confira como ficaram os números do jogo, após o 2º tempo:

Dados Manchester United Chelsea
Finalizações (no gol) 12 (7) 20 (9)
Faltas cometidas 11 12
Escanteios 4 10
Impedimentos 2 0
Posse de bola 57% 43%

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pep inovador

Josep Guardiola, há pouco tempo, tornou-se o treinador mais vitorioso da história do Barcelona com 12 títulos oficiais conquistados (superou Cruyff, com 11). O atual técnico implantou um estilo de jogo que tornou o time catalão, praticamente, imbatível nas últimas temporadas e o exemplo mais radical dessa maneira de jogar foi visto pelo mundo na abertura do Campeonato Espanhol, quando o Barça derrotou o Villarreal por 5x0, atuando com diversos desfalques. Confira os gols:



Sem seus zagueiros, Piqué e Puyol, Guardiola optou por compor uma zaga utilizando Busquets, Mascherano e Abidal, o qual começou a carreira nesta posição, mas vem jogando como lateral-esquerdo. Os dois primeiros são volantes improvisados na função. Dessa maneira, os 11 titulares na ocasião foram: Valdés (goleiro), Abidal (zagueiro), Mascherano (meio-campo), Busquets (meio-campo), Fàbregas (meio-campo), Keita (meio-campo), Thiago Alcântara (meio-campo), Iniesta (meio campo), Pedro (atacante), Messi (atacante) e Aléxis Sánchez (atacante). A surpreendente escalação tornava quase impossível dizer em qual esquema o time seria formado dentro de campo.

Surpreso com a variabilidade tática do time catalão, procurei algumas análises a respeito desta partida e encontrei uma, em inglês, que me agradou muito. Baseado nela, falarei sobre os principais pontos que determinaram a inesperada goleada catalã. Quem quiser ler o texto original, clique aqui.

O jogo:

O Villarreal era apontado por muitos como um time capaz de criar grandes dificuldades ao Barcelona. A partida disputada na última temporada entre as duas equipes reforçava esse pensamento. Naquela ocasião, no Camp Nou, os donos da casa venceram por 3x1, mas o confronto foi muito equilibrado e teve chances de gol iguais para os dois lados. Naquele mesmo jogo, o Villarreal tinha idéia de como o Barça iria para o campo e tinha armado sua equipe para minimizar os pontos fortes do adversário. Desta vez, o Submarino Amarelo tentou fazer a mesma coisa.

Usando uma potencial crise na defesa por falta de jogadores, Guardiola apropriou-se de uma circuntância que causaria sérios problemas para grande parte dos clubes da elite européia e criou um sistema altamente dinâmico, capaz de superar a ausência de atletas cruciais. O novo estilo de jogo desenvolvido por Pep fez com que o Villarreal perde-se suas referências de como operar. O time amarelo era montado para neutralizar os pontos fortes do rival. Sem saber como o adversário jogaria, ficaram perdidos. Esse dinamismo mostrado pelos jogadores do Barcelona, possivelmente, não era visto desde Cruyff no Ajax.

Villarreal:

Para entender o resultado desta partida, é necessário entender, primeiramente, como funciona o esquema tático do Villarreal. Eles fazem uma mistura de 4-2-2-2 com 4-4-2 no ataque. A grande vantagem dos dois atacantes é o desenvolvimento das jogadas ser mais próximo do gol. No entanto, a utilização desses dois avançados significa um número menor de jogadores no meio-campo ou na defesa. Essa é uma das limitações do 4-4-2 (meio mais vulnerável). Procurando amenizar essa vulnerabilidade, foi desenvolvido o 4-2-2-2, o qual procura aumentar a ocupação do meio-campo, colocando os alas no interior. Dessa maneira que o Brasil de 1982, na Copa do Mundo, jogava. O sistema passou a ser uma referência no país.

Nota: Por essa razão, o Brasil tem produzido uma quantidade tão grande de laterais que buscam ocupar o flanco inteiro, nos últimos anos, como Daniel Alves, por exemplo. É dessa forma que ele atua no Barcelona. É uma consequência da influência do 4-2-2-2 no país.

Há, porém, uma fraqueza nessa tática. Ela pode ser tornar extremamente estreita, pois os únicos jogadores que estão nos flancos são os laterais, que precisam ocupá-lo por inteiro. Essa limitação torna-se uma deficiência no ataque, por falta de largura, e na defesa, pois, constantemente, criam-se lacunas e surgem jogadas de 1 contra 1 ou 2 contra 1 nos espaços deixados.

Para balancear os dois sistemas (4-4-2 e 4-2-2-2), o Villarreal procurou fazer um misto das duas táticas. Os dois alas movem-se para as posições interiores para controlar o meio-campo e quando necessário ampliam seu posicionamento novamente. Nota-se, ainda, que o meio-campista avançado da esquerda joga de forma mais ampla que o da direita.

O segundo ponto dessa estratégia é o posicionamento dos atacantes. No Villarreal, Nilmar e Rossi não jogam próximos. Eles jogam afastados, quase como alas, de forma que isolem os avançados mais habilidosas da marcação dos zagueiros e volantes adversários.

Essa maneira de atuar do Villarreal tem permitido que a equipe desenvolva superioridade numérica contra adversários que atuam em diferentes esquemas táticos, como 4-3-3 e 4-2-3-1. O posicionamento dos meias avançados e dos atacantes ainda evita que se tornem  extremamente estreitos. Quando necessário, um atacante (ambos jogam largo) sobe ao meio para compor os espaços deixados ou os meio-campistas abrem seu posicionamento.

É essa estratágia que tem resultado no sucesso amarelo nos duelos contra o Barcelona. A grande força do Barço tem sido o meio-campo. Congestionando esse setor, surge a dificuldade de criar jogadas de perigo. Observe na figura 1 como funciona o quadrado formado por Bruno, Marchena, Valero e Cani, envolvendo os barcelonistas Messi, Iniesta e Fàbregas. Nota-se, também, o posicionamento do meia-avançado na esquerda, um pouco mais aberto, como foi dito acima, constituindo um esquema assimétrico.


A limitação para o sistema do Villarreal, porém, é que ele pede aos seus dois meias avançados para jogar quase duas posições de uma só vez. Eles precisam ser meio-campistas centrais e alas. Acima, pode-se observar o posicionamento de Cani, que não consegue fechar, completamente, o quadrado no centro, pois precisa anular a ameaça que é deixar Thiago Alcântara livre. Os meias avançados precisam ser rápidos o suficiente para se movimentar do centro para os flancos e vice-versa, principalmente, na hora de defender. Cani, na figura, precisa se manter na posição que está para que Thiago não corra verticalmente em direção ao gol, criando uma situação de 1 contra 1, como já foi falado.



Na imagem acima, mais um exemplo do Villarreal tentando manter o formato no meio-campo. Dessa vez, para pressionar a saída de bola do adversário. Nessa imagem, a fraqueza tática do Villarreal é, claramente, evidenciada. Percebe-se que, no topo e na parte de baixo, ou seja, em ambos os flancos do campo, há jogadores do Barcelona livres, o que resulta do estreitamento do 4-2-2-2. Os meio-campistas avançados tem que correr longas distâncias (do centro para o flanco) para cumprir todas as tarefas táticas que são cobrados. Além do risco de fadiga, há grande chance de, em determinado momento, não serem capazes. Observe a distância de Cani para Alexis Sánchez, no topo.

Analisadas as fotos, pode-se dizer que o caminho mais fácil para bater o Villarreal é utilizar a largura e provocar o cansaço dos meias mais habilidosos e criativos, que são muito exigidos fisicamente, com essa formação. Sem Daniel Alves e Adriano, boas fontes de largura, como o Barcelona seria capaz de explorar tão bem os flancos?

Barcelona:

A maioria dos treinadores do mundo procuraria peças de reposição parecidas. Seguindo esse pensamento, os substitutos para Piqué e Puyol seriam os jovens Fontás e Bartra. Contudo, Guardiola não quis utilizar dois inexperientes defensores de imediato e deixou-os no banco de reservas. Ao anunciar quais seriam os titulares, a primeira pergunta feita por todos era a respeito do esquema tático que seria usado. Inútil. O futebol que o Barcelona demonstraria não era baseado em estruturas, mas sim em dinamismo.

1) 3-1-3-3
2) 3-4-3 com um losango no meio-campo
3) 3-2-2-3
4) 3-3-1-3


Todas essas eram formações possíveis, de acordo com os jogadores que estariam em campo. O Barcelona alinhou-se em todas elas e, ao mesmo tempo, em nenhuma delas. Guardiola levou seu estilo de jogo fluido e dinâmico ao extremo, tornando a formação tática como algo secundário.

Tomando o 3-4-3 losango como formação base, pode-se dizer que o esquema adotado pelo Barça foi atípico. O 3-4-3 corre para o mesmo problema do 4-2-2-2: pode torna-se estreito. Em uma tentativa dos meio-campistas se conectarem uns com os outros, eles tendem a se aproximar e afunilar no meio. No caso do Barcelona, isso não ocorreu. Eles jogavam colados à lateral e formavam um triângulo para atacar o Villarreal na sua principal fraqueza: a largura.

No futebol, o controle do espaço é fundamental para vencer. O que a maioria das equipes têm feito é enfatizar a forma como o time se dispõe dentro de campo, isto é, privilegiar o esquema tático (4-4-2, 4-2-2-2, 4-2-3-1, 3-5-2, etc...). Aí está o diferencial do Barcelona, implantado pelo atual treinador. Uma forma de redimensionar o espaço é ter a bola nos pés. Essa é a política de Guardiola. Por isso, o time de Pep sempre tem maior posse que o adversário e faz, diariamente, treinos para manter o domínio da mesma, como Daniel Alves já disse em entrevista. Com a bola, é possível controlar o espaço. O técnico catalão também faz usa de uma marcação pressionante, exatamente para recuperá-la.

Todo sistema, seja ele qual for, exige uma estrutura e uma dinâmica. Desde que assumiu o comando do Barcelona, o que Guardiola vem fazendo é libertar seu time de uma estrutura e aumentar o dinamismo. Foi o que ocorreu nesta partida. Perdeu-se os jogadores de trás, criou-se um problema estrutural, mas a maior fluidez permitiu que a dificuldade fosse superada. Ao invés de lançar os jovens reservas ao jogo e consertar, diretamente, a estrutura, Pep decidiu jogar mais dinamicamente usando a bola. Deu muito certo.

Javier Garrido acreditava que o Barcelona dependeria da sua estrutura (a que usou nos últimos confrontos), pensou que seu quadrado no meio-campo congestionaria o setor, criaria dificuldades para o desfalcado Barça, Nilmar e Rossi afastados isolariam os defensores barcelonistas. O que mais havia para fazer? Nada. O Barça de Guardiola parece anos à frente dos outros times. Tão à frente que se desprende de táticas.

Guardiola, em tempos de jogador, recebendo instruções do técnico Cruyff. O contato entre os dois justifica as influências táticas do holandês no atual trabalho desenvolvido por Pep no comando do Barcelona.
A impressão que Guardiola deixa e de já ter imaginado essa maneira de jogar há muito tempo. Aproveitou um momento em que não contaria com seus principais defensores para colocar em prática. Toda a filosofia de ter a bola nos pés e o estilo de marcação podem ser direcionados para uma forma de futebol há muito tempo não vista. Desde que jogava para Cruyff. Há uma grande coerência que liga todo o caminho do trabalho de Pep Guardiola até então.