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domingo, 18 de setembro de 2011

O jogo do inacreditável

Neste domingo, 12h00m do horário de Brasília, o Manchester United derrotou o Chelsea em Old Trafford (3x1), pela 5ª rodada da Premier League. Ao final do primeiro tempo, os donos da casa já tinham aberto uma confortável vantagem de 3 gols de diferença. Incrivelmente, o dilatado e expressivo placar não condizia com o que era a partida. Difícil imaginar que uma equipe que está a vencer por 3x0 foi dominada durante toda a primeira etapa. Confira os números do 1º tempo:

Dados Manchester United Chelsea
Finalizações (no gol) 4 (3) 12 (5)
Faltas cometidas 5 8
Escanteios 1 3
Posse de bola 56% 44%

Como os próprios números mostram, os únicos 3 chutes do Manchester que foram na meta, foram gols. E eles aconteceram em ocasiões isoladas, nas poucas oportunidades que os "red devils" tiveram. Bom aproveitamento da equipe de Sir Alex Ferguson, a qual chegou aos 21 marcados em 5 partidas do Campeonato Inglês.Veja os gols:


Os 5 jogadores de meio do Chelsea, que jogou no 4-2-3-1, povoavam bem o campo de defesa do adversário. Ramires e Raul Meireles faziam a dupla de volantes atrás, Lampard ficava mais à frente centralizado, Mata era o ala-esquerda e o atacante Sturridge atuava aberto na ala-direita. Fernando Torres era a referência no ataque. Veja a escalação: Cech; Ashley Cole, Ivanovic, John Terry e Bosingwa; Ramires e Raul Meireles; Mata, Lampard e Sturridge; Fernando Torres.

A inferioridade numérica no meio-campo gerava problemas ao United, que foi a campo em um 4-4-2. De Gea; Evra, Evans, Phil Jones e Smalling; Ashley Young, Anderson, Fletcher e Nani; Rooney e Javier Hernandez. Esses foram os 11 titulares nesta partida. Com dificuldades de sair da marcação pressão exercida pelos "blues", os quais pressionavam a saída de bola com seus jogadores de frente, o Man U achou um gol logo no início, aos 7 minutos, originado por uma cobrança de falta de Ashley Young. O ponta-esquerda cruzou na medida para Smalling - impedido - cabecear.

O Chelsea mantinha o estilo de jogo e quase chegou ao empate. Ramires recebeu belo passe de Torres e perdeu chance incrível. Já o Manchester não desperdiçava. Nani recebeu boa inversão de jogo na direita, conduziu a bola para o meio e soltou uma bomba indefensával para Cech, de fora da área. 2ª chegada dos "reds", 2º gol. Nota-se que, no início da jogada, Nani também estava em posição irregular. De novo, o bandeirinha não viu e nos primeiros 45 minutos nenhum impedimento foi assinalado.

O dia não era mesmo dos "blues". Antes do fim do 1º tempo, o Man U ainda faria outro. Tentando afastar o perigo, John Terry - caído - chutou a bola, dentro da área, em Nani, o qual - sem querer - acabou assistindo para o gol de Wayne Rooney. 9º gol do atacante em 5 jogos da Premier League. Quase dois por partida. A derrota pesada não refletia o que era confronto.

Para o 2º tempo, o técnico André Villas-Boas retirou Lampard e voltou ao gramado com Anelka em seu lugar. A alteração deslocou Mata da esquerda para o centro, como organizador de jogo, e moveu Anelka para a posição do espanhol. Deu certo. Com 30 segundos de bola rolando, o francês deu belo passe entre os zagueiros para El Niño finalizar com categoria por cima do goleiro De Gea.

A substituição deixou os londrinos mais expostos e o time de Manchester começou a ter mais oportunidades de gol. Mais ofensivo, o Chelsea dava mais espaços para o Man U atacar. O inspirado Nani aproveitou essas chances e, em outra bomba de fora da área, acertou o travessão. No rebote, sofreu um pênalti. Rooney foi cobrar, escorregou e isolou a chance do United de matar a partida. Inacreditável. Veja o vídeo:


Rooney escorrega e desperdiça pênalti sofrido por Nani.



Sem sofrer o 4º, o Chelsea continuava vivo e poderia continuar sonhando com a busca do empate ou até da virada. Foi o que tentou fazer, mas a bola não entraria. Torres - que se movimentava bem, marcou bonito gol, deu passe excelente para Ramires, finalizava com perigo e fazia sua melhor partida com a camisa azul - voltou a ser aquele atacante questionado, o qual não justifica o investimento milionário que foi feita em cima de sua contratação - 6ª maior da história. Para quem achou incrível a penalidade de Wayne Rooney, o gol perdido por Torres foi inexplicável. Inadmissível para um camisa 9 do Chelsea que custou 58 milhões de euros. Sem goleiro, finalizou para fora.

Gol perdido por Fernando Torres arranca risos dos torcedores do Manchester em Old Trafford. Atacante se lamenta em campo.
O chute para fora, aos 83 minutos, destruiu a atuação segura do espanhol, que não marcava desde abril. Veja abaixo o vídeo da chance perdida por El Niño:


Ainda havia tempo para mais. Berbatov, um dos artilheiros da última Premier League e atual reserva do Manchester, entraria em campo no lugar de Chicarito para se juntar ao seleto grupo comandado por Ramires, Rooney e, claro, Fernando Torres. O búlgaro, já nos últimos minutos de jogo, recebeu ótimo passe do camisa 10 dos "red devils" e finalizou fraco, sem goleiro. Ashley Cole chegou a tempo de cortar e evitar um placar mais elástico. Veja:

O movimentadíssimo clássico inglês entre "reds" e "blues" assim terminou: 3x1 para um Manchester United que, quando foi dominado inteiramente pelo adversário, marcou 3 gols. Quando equilibrou a partida, sofreu 1 e não converteu. Nem quando teve pênalti a seu favor e chance clara sem goleiro. Assim como fez Torres, minutos antes. Jogaço que leva o Man U para a ponta da tabela: 5 jogos, 5 vitórias, 21 gols marcados, 4 sofridos. 100% de aproveitamento e líder isolado, já que o rival da mesma cidade, Manchester City, cedeu o empate de 2x2 para o Fulham, depois de estar ganhando por 2x0. O Chelsea fica em 3º lugar, com 10 pontos. Confira como ficaram os números do jogo, após o 2º tempo:

Dados Manchester United Chelsea
Finalizações (no gol) 12 (7) 20 (9)
Faltas cometidas 11 12
Escanteios 4 10
Impedimentos 2 0
Posse de bola 57% 43%

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobreviverão?

A frase "Sobreviveremos sem Fàbregas se estivermos unidos.", de Arsene Wenger, ainda gera grande desconfiança quanto a sua veracidade. Principalmente, depois de o time londrino ter sofrido a emblemática derrota de 8x2 para os rivais de Manchester. Nunca o "young soccer" do treinador francês foi tão questionado.

Contrariando a lógica dos grandes clubes do cenário europeu, o Arsenal há anos vem adotando a filosofia de contratar jogadores jovens que tem qualidade destacada dos demais, ao invés de atletas renomados. Isso levou o clube, nos últimos anos, a ter um futebol mundialmente reconhecido como um dos mais bem jogados. As equipes montadas por Wenger são ágeis e talentosas, porém não aparenta ser esse o caso do elenco atual. Com a mesma média de idade do time do Man U (23 anos), os Gunners levaram a maior goleada de sua história para os Red Devils. Ao que parece, só a referida união poderá salvar o time da capital de uma temporada vergonhosa neste ano.

Os Gunners, que já tinham um setor defensivo muito fraco, perderam sua força no meio-campo com as saídas de Fàbregas e Nasri - estrelas da equipe. O último, além de enfraquecer o time com sua saída, reforçou um rival da Premier League, assim como fez Gael Clichy, lateral-esquerdo.

Pior do que a relutância de Wenger em gastar as cifras milionárias que tem à sua disposição (só com as vendas eram cerca de 60 milhões de libras), é a aparente falta de organização para gerir o plantel este ano. Dois dos principais jogadores do time saíram já no mês de agosto, terminada a pré-temporada. Um deles (Cesc Fàbregas) era o capitão. Como um time que ambiciona títulos pode vender seu astro na metade de agosto? Aliás, foi por querer títulos que Samir Nasri disse ter decidido sair da equipe londrina.

Arsene Wenger: 6 anos sem conquistas e muita pressão em torno de seu "young soccer".
No Manchester City, ele continuará atuando ao lado de Clichy, lateral-esquerdo de 26 anos que deixou os Gunners para que Kieran Gibbs, 21, pudesse desenvolver seu potencial e herdasse a posição. Até aí tudo bem. Prevalecia o pensamento que Wenger vem estruturando no clube. Porém, o treinador francês, de última hora, acertou a contratação do lateral brasileiro André Santos, 28, pelo mesmo valor que recebeu com a venda do antigo titular. A transferência soou como um ato de desespero em relação à situação do clube e contrariou a coerência do técnico francês. André Santos não é mal jogador, mas não merece - pelo menos até o momento - a titularidade do Arsenal. Além disso, não vale a mesma quantia que Clichy. Ou os Gunners venderam muito barato o ex-jogador da equipe, ou pagaram alto para contar com o brasileiro.

A contratação de André Santos não foi a única que movimentou o último dia da janela de transferências, recém encerrada. Sim, o Arsenal efetuou diversas contratações em cima da hora, aos "45 do segundo tempo", o que reflete o mal planejamento do clube. Park Chu-Young (Mônaco, 26, atacante), Mikel Arteta, (Everton, 29, meio-campo), Per Mertesacker (Werder Bremen, 26, zagueiro) e Yossi Benayoun  (Chelsea, 31, meio-campo) juntaram-se ao ex-Fenerbaçhe no dia 31 de agosto. Nota-se que nenhum dos atletas citados é jovem, no perfil que agrada Arsene. Dentre os 9 contratados na época, 1/3 deles, apenas, corresponde à filosofia do francês. São eles: Joel Campbell (19), Alex Oxlade-Chamberlain (18) e Jenkison (19).

O fracasso dos Gunners em trazer novos jogadores também não pode passar despercebido. Eljero Elia, 24, meia-atacante que estava sendo especulado no time londrino acabou assinando pelo Juventus-ITA (9 milhões de euros). Wenger, surpreendentemente, ofereceu 40 milhões de euros por outro meia-atacante, o jovem Mario Götze, 19, sensação do futebol alemão, revelação do Borussia Dortmund que chegou a fazer gol na Seleção Brasileira no amistoso de Stuttgart. Os alemães seguraram o atleta. Por fim, um terceiro fracasso foi a tentativa de retirar Gourcouff, 25, formado no Milan-ITA, do Lyon-FRA. Gilles Grimandi (olheiro), também no último dia de janela aberta, ligou para os franceses para saber da disponibilidade de empréstimo do jogador. A história que ocorreu com Kaká se repetiu.

Sem dúvida alguma Wenger é um grande treinador, mas há 6 anos não conquista um título. Assim como o comandante, o Arsenal é grande e amarga os mesmos 6 anos sem conquistas. Arsene tem apenas a opção de mudar esse caminho e reverter os acontecimentos. Em 3 jogos da Premier League, os Gunners perderam dois e empataram um (1 ponto de 9 disputados). Por pouco se classificaram para a fase de grupos da Copa dos Campeões. A desordem é tão grande que não dá para culpar, inteiramente, a saída de Fàbregas por toda a crise que gira o Emirates. O meia trocou 8 anos de Arsenal e 2 títulos, por 8 dias de Barcelona e 2 títulos.