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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vasco da Gama, o time do ano

"Antes de qualquer coisa, preciso agradecer a vocês, meus jogadores, por esse ano. Não há nada que possa me motivar mais do que vê-los jogar dessa forma. Cada vitória, cada gol e cada momento de superação me fazem perceber o quanto preciso melhorar para voltar. Para coroar esse ano, precisamos de mais essa vitória. Força e garra no clássico”, disse Ricardo Gomes em sua carta para o elenco cruzmaltino. O treinador, no entanto, enganou-se. Para coroar esse ano não era preciso fazer mais nada. Ganhar o dérbi contra o Flamengo era apenas um detalhe para a torcida vascaína. Ainda bem, pois o triunfo não ocorreu.

Quanto à força e garra, o time obedeceu com maestria, mas deixou uma dúvida no ar: teriam eles jogado dessa maneira para atender ao pedido do "enganado técnico" ou por, simplesmente, ser dessa forma que atuaram durante a temporada?


Empenho, superação e dedicação são palavras marcantes neste ano do Vasco da Gama, que, mais do que nunca, fez jus à alcunha de "Time da Virada". Do pior início de Campeonato Carioca, com 4 derrotas consecutivas, o clube, com a chegada do Prof. Ricardo Gomes, foi à final da Taça Rio, venceu a Copa do Brasil e, "por respirar vitória", como Fernando Prass disse, foi à semi-final da Sul-Americana e Vice-Campeão Brasileiro.

A Tríplice Coroa não veio. E talvez não tenha vindo por ambição de vencer tudo, o que todo clube que se diga grande deveria se propor a fazer. Em contrapartida, o orgulho de ser Vasco retornou. Há tempos uma equipe não representava tão bem, dentro de campo, a paixão de um torcedor da arquibancada. Reconhecendo isso, após o término do Clássico dos Milhões, mesmo sem o título, a torcida continuou a cantar no Engenhão para reverenciar seus "guerreiros".


O Vasco, em 2011, não ficou gravado como "Campeão Brasileiro". Tampouco como "Campeão da Sul-Americana". E, francamente, o azar é dessas duas competições. O Vasco da Gama, ao jogar bonito, com raça e superando-se a cada dia, conquistou-as. Elas é que não conquistaram o Vasco da Gama, que é muito mais difícil.

Quem ganhou o Gigante da Colina - agora mais gigante ainda - foi a Copa do Brasil e, da mesma forma que aconteceu com as outras duas competições citadas acima, não foi por conta dela que a equipe ficou gravada neste ano. O time será lembrado pelas viradas épicas contra Aurora (8 a 3) e Universitario (5 a 2); pela vitória contra o Fluminense aos 45 minutos do 2º tempo, com gol de Bernardo; pela superação de cada jogo e por muitas outras razões que marcaram a trajetória cruzmaltina de janeiro a dezembro.


Neste último mês, concluída a última batalha, os vascaínos foram "vice". É o preço que se paga, às vezes, por brigar por títulos. Seguindo essa filosofia de "exaltar" quem fica em 2º lugar, pode-se, por exemplo, parabenizar o Fluminense por ter sido "vice do vice". Já o Flamengo, melhor: "vice do vice do vice".

"Antes de qualquer coisa" - para concluir da maneira que Ricardo Gomes iniciou sua carta de agradecimento aos seus jogadores por seu ano - a torcida precisa agradecer a ele e ao seu auxiliar Cristóvão Borges, que deu continuidade ao projeto. Na ponta do lápis, quem tem mais motivos para comemorar, sem dúvida alguma, é a imensa torcida vascaína, que foi feita bem feliz e se despediu do time aos gritos de "É campeão". Não há precedentes de tão bom emprego de tal expressão no futebol brasileiro.

domingo, 6 de novembro de 2011

#Brasileirão - Briga pelo título (Parte 5)

Mais uma rodada do Campeonato Brasileiro se encerra e o campeão está longe de ser definido. Agora restam 5 jogos, 15 pontos e 5 fortes candidatos.

O Corinthians continua líder com 58 pontos, apesar de ter perdido seu jogo para o América-MG, em Uberlândia, com uma torcida toda ao seu favor (o Coelho deixou de atuar em Sete Lagoas para arrecadar com a presença dos paulistas, que lotaram o estádio). O Vasco se mantém na vice-liderança com a mesma pontuação e uma vitória a menos. O Gigante da Colina também perdeu sua partida e tem que agradecer aos mineiros por terem complicado a vida dos paulistas. Nos próximos 5 jogos terão 3 clássicos. Todos brigam pela conquista do Campeonato. É a Taça Guanabara em forma de Brasileirão 2011.

O 1º desses clássicos acontecerá na próxima rodada (34ª), no domingo, contra o Botafogo, 4º colocado com 55 pontos. Se o Glorioso tivesse vencido no sábado, teria assumido a liderança pelo critério de desempate. Jogou mal e acabou perdendo para o Figueirense em pleno Engenhão. Final de semana que vem, no mesmo estádio, terão uma nova chance jogar melhor e chegar à ponta, caso derrotem os rivais vascaínos.

Nota 1: A derrota do Vasco, diante de uma Vila Belmiro lotada, no retorno de Ganso (que jogou os 90 minutos), pode ser considerada normal. Era um placar provável. O improvável foi a forma como o time jogou. Aliás, o time só jogou na 2ª metade do 1º tempo. O início de jogo foi muito fraco, com direito a gol sofrido aos 3 minutos e muitos passes errados. A 2ª etapa toda também foi assim e o resultado poderia ter sido mais elástico, apesar dos sérios erros de arbitragem contra o Cruzmaltino. Fellipe Bastos e Eder Luis fizeram outra péssima partida.


Nota 2: Diferente do rival na disputa pelo título epicitado, o resultado dos corintianos não era previsto. Esperava uma partida equilibrada (talvez até com uma vitória dos mineiros), caso fosse na Arena do Jacaré, onde o Coelho ganhou 19 dos últimos 25 pontos disputados. Lá, derrotou Vasco por 4x1, por exemplo. Em Uberlândia, diante de milheres de torcedores rivais, desacreditei no sucesso do América. O Corinthians, como todo clube grande que está disputando um campeonato de pontos corridos, não pode perder pontos assim. O resultado foi justo e o América foi, de fato, melhor.

O Tricolor surpreendeu e venceu o Internacional em pleno Beira-Rio. Chegaram aos 56 pontos e ocupam a 3ª posição. O critério de desempate também pode ajudar o time das Laranjeiras a chegar ao título. É a equipe que mais venceu no Brasileiro (18 vezes).

Uma vitória do Colorado reforçaria meu antigo pensamento de que o Fla corria sérios riscos de ficar fora da Libertadores de 2012. Uma ascensão dos gaúchos e a subida do Figueirense poderiam, para mim, retirar o Rubro-Negro da competição do ano que vem. Não acho mais. O Flamengo também venceu seu jogo (5x1 no Cruzeiro) e se distanciou um pouco desses dois rivais. Ainda tem um confronto direto, dentro de casa, contra o Inter. Continuo apenas pensando que o time não deve ser campeão, embora seja, claro, um candidato e esteja na disputa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

#Brasileirão - Briga pelo título (Parte 4)

Viradas, erros de arbitragem e mudança na liderança do Brasileirão. Tudo isso fez parte da 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Agora, restam apenas 6 jogos para saber quem será o novo campeão. Veja como foram os principais jogos dos times que disputam o título:

1º) Corinthians:

O Timão, de virada, jogando mal e com um jogador a menos, suou para derrotar o Avaí, que briga para não ser rebaixado. A partida no Pacaembu terminou com a vitória de 2x1 para os donos da casa, que têm o mesmo número de pontos do Vasco da Gama, mas estão à frente pelo critério de desempate (número de vitórias). O próximo confronto será fora de casa contra o quase rebaixado América-MG.

2º) Vasco da Gama:

Depois de um 1º tempo equilibrado, o Cruzmaltino dominou na 2ª etapa e parou no goleiro Dênis. O substituto de Rogério Ceni fez muitas incríveis defesas e garantiu uma partida sem gols sofridos. No final, os vascaínos ainda puderam anotar mais um erro de arbitragem em suas contas. O juiz não deu um pênalti de Juan em Allan. Fim de jogo e 0x0 no placar.

Nota: Alecsandro tem sido perseguido pelos torcedores. Na partida contra o Aurora, após perder chance clara, teve que conviver com vaias a cada momento em que tocava na bola, gritos de "Tira o Alecsandro que é gol" e pedidos da arquibancada por "Elton". Tudo superado. O camisa 9, naquela mesma ocasião, marcou duas vezes e deu uma assistência. Hoje o aclamado centroavante Elton perdeu, pelo menos, 3 boas oportunidades. O que fazer agora? Vaiar e pedir "Alecsandro"?

3º) Botafogo:

O Alvinegro voltou a jogar bem, ganhou com gol de Loco Abreu (1x0) e está a apenas 3 pontos dos líderes. Enquanto esses jogarão fora de casa na próxima rodada, o Glorioso tem a vantagem de receber o Figueirense no Engenhão. Não será um jogo fácil. No 2º turno, o Figueira perdeu apenas UMA partida, tem a 3ª melhor campanha (24 pontos) e é o 5º melhor visitante do Brasileiro (23 pontos; 3 atrás do São Paulo, líder). Já o Botafogo é o melhor mandante da competição (37 pontos). Seguem como um dos grandes favoritos ao título.


4º) Fluminense:

O Tricolor é outro time que joga bem no Brasileiro. Venceu, de virada, o Ceará, com dois gols de Rafael Sóbis (2x1). É o clube que tem mais vitórias, junto com o Corinthians (17 vitórias). Não devem ser campeões, mas são candidatos ao título. Mais do que 5 pontos atrás para os líderes, há 3 times à sua frente. Uma diferença difícil de ser tirada em 6 rodadas.


5º) Flamengo:

Na volta de Ronaldinho Gaúcho ao Olímpico, o Flamengo sofreu a virada para um Grêmio apoiado por milhares de torcedores, os quais esgotaram os ingressos de seu estádio para hostilizar o agora rubro-negro. Depois de estar ganhando por 2x0, o clube carioca sofreu 4 gols e saiu derrotado por 4x2. O Fla oscila demais e não tem muitas opções táticas. Correm sério risco de não conseguir a classificação para a Libertadores.


6º) Internacional:

O Colorado, em ascensão, subiu uma posição nesta rodada. Venceu, fora de casa, o Atlético-Go por 1x0. Detentor de campanha idêntica à do Figueirense no 2º turno (6 vitórias, 6 empates e 1 derrota), o time é forte candidato à uma vaga na Libertadores. Arriscaria a dizer que no lugar do Flamengo. Próxima rodada há um confronto direto nessa briga contra o Fluminense, no Beira-Rio. Na 37ª o jogo é contra o Fla.

7º) São Paulo:

Tiveram bom 1º tempo contra o Vasco. O esquema com 3 zagueiros dificultou algumas ações ofensivas dos vascaínos, que jogaram sem Diego Souza. O time, na etapa inicial, trabalhava bem a bola ao redor da área vascaína e criava suas principais oportunidades de perigo com chutes de média distância. O 2º tempo foi bem fraco.

A demissão de Adilson Batista faz com que o Tricolor (50 pontos) seja quase descartado da disputa pelo título, pois o novo treinador, Leão, assume a equipe nas últimas rodadas e tem pouco tempo para trabalhar. Uma vaga na Libertadores deverá ser o máximo que o São Paulo pode conseguir.

domingo, 23 de outubro de 2011

A estranha tática do Vasco que deu certo

Hoje, em Pituaçu, contra o Bahia, tudo indicava que o Vasco entraria em campo com o centroavante Elton, que vive grande fase, centralizado. Diego Souza e Eder Luis deveriam jogar abertos pelas pontas esquerda e direita, respectivamente. No entanto, uma virose tirou o atacante da partida em cima da hora e fez Cristóvão Borges optar por escalar Rômulo e Eduardo Costa no meio-campo, o que era improvável, pois ambos estavam retornando de lesão.

Com 4 volantes no meio, nenhum atacante de referência no ataque, Felipe na lateral-esquerda e Douglas na zaga ao lado de Dedé, o Cruzmaltino venceu e convenceu fora de casa. O Gigante da Colina foi muito superior e mostrou ser um time versátil. Veja a escalação (4-2-2-2): Fernando Prass; Fagner, Dedé, Douglas e Felipe; Rômulo e Jumar; Allan e Eduardo Costa; Eder Luis e Diego Souza.


Considerações táticas importantes:

1) Mesmo sem um atacante de área, nada mudou no posicionamento dos dois jogadores de frente do Vasco. Diego Souza e Eder Luis atuaram abertos. Esse posionamento fez o time ganhar em largura, o que foi bom. Contudo, em alguns momentos, faltou uma referência para ajudar na criação de jogadas e permitir que os dois trabalhassem mais perto da área.

2) Os 4 volantes no meio-campo não impediram o Gigante da Colina de ser ofensivo e criar boas jogadas. Pelo contrário. Os laterais (Felipe e Fagner) puderam se lançar ao ataque sem ter tanta preocupação defensiva, pois tinham o apoio necessário de Jumar e Rômulo, cabeças de área.

3) Os dois itens acima evitaram que o Vasco fosse um time afunilado e congestionado no meio, caindo na falha do sistema 4-2-2-2. A equipe usou bem os dois flancos. Outro acerto tático foi a impressionante capacidade do time de redimensionar o espaço usando a bola e eficiência na hora de recuperá-la. O esquema com 4 volantes e 2 primeiros-atacantes fazia com que o Vasco ocupasse muito bem o campo de ataque e pudesse marcar à pressão, como vem fazendo ao longo do Brasileiro.

4) O esquema de hoje é mais um do variado leque de possibilidades vascaínas. A capacidade que a equipe tem de alternar suas formações reforça suas chances de conquista do título brasileiro. O time que venceu a Copa do Brasil jogando no 4-1-2-1-2 (losango), atuou boa parte do Brasileirão alternando 4-5-1 (na hora de defender), com Eder Luis e Diego Souza retornando para preencher o meio-campo, e 4-3-3 (quando ataca), com os dois abertos jogando como pontas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

#Brasileirão - Briga pelo título (Parte 1)

O Campeonato Brasileiro está chegando ao fim e a disputa pelo título da competição vai ficando cada vez mais acirrada. Torcedores pegam as calculadoras e, até mesmo os que nunca levaram jeito com matemática, desdobram-se para fazer os cálculos mais complexos e verificar a probabilidade do seu time ser campeão.

Para mostrar essas contas e verificar a forma recente das equipes, separei os resultados dos 7 candidatos a levantar a taça (Corinthians, Vasco da Gama, Botafogo, Flamengo, Fluminense, São Paulo e Internacional) nos 10 últimos jogos disputados, ou seja, desde a 21ª rodada. Veja abaixo (D = Derrota; E = Empate; V = Vitória; X = Não jogou na rodada):

Corinthians (33%):


Coritiba 1 x 0 Corinthians
Corinthians 2 x 1 Flamengo
Fluminense 1 x 0 Corinthians
Corinthians 1 x 3 Santos
São Paulo 0 x 0 Corinthians
Corinthians 1 x 0 Bahia
Vasco da Gama 2 x 2 Corinthians
Corinthians 3 x 0 Atlético-GO*¹
Corinthians 0 x 2 Botafogo
Cruzeiro 0 x 1 Corinthians

Forma: DVDDEVEVDV

*¹ No 2º tempo contra o Vasco e no 1º contra o Atlético-GO, o Corinthians jogou como campeão brasileiro. E só. De resto, os paulistas costumam ser bem irregulares. Venceram 4, perderam 4 e empataram 2. Muitas atuções não convenceram. O nível caiu, após esses dois bons jogos citados, quando o Timão enfrentou, em casa, o Botafogo e saiu, justamente, derrotado. O Alvinegro Carioca foi superior.
*² Contra o Cruzeiro em Sete Lagoas, o Corinthians foi inferior ao adversário, conseguiu um gol de fora da área com Paulinho, após rápida jogada de contra-ataque e teve sorte por Montillo desperdiçar a penalidade.

Vasco da Gama (25%):

América-MG 4 x 1 Vasco da Gama
Vasco da Gama 2 x 0 Coritiba
Figueirense 1 x 1 Vasco da Gama
Vasco da Gama 4 x 0 Grêmio
Vasco da Gama 1 x 1 Atlético-GO*²
Cruzeiro 0 x 3 Vasco da Gama
Vasco da Gama 2 x 2 Corinthians*²
Internacional 3 x 0 Vasco da Gama
Atlético-PR 2 x 2 Vasco da Gama
Vasco da Gama 2 x 0 Atlético-MG*³

Forma: DVEVEVEDEV

*¹ O time de São Januário perde pouco no Campeonato, mas, quando isso acontece, é de goleada, como mostram os resultados acima. Para saber mais sobre as outras derrotas dos vascaínos, clique aqui.
*² O Vasco, ao contrário do que Cristóvão Borges costuma declarar, oscila sim. Assim como todos os outros postulantes ao título do Brasileiro. O Cruzmaltino, como foi assinalado, deixou de vencer 3 importantes partidas. Contra o Figueirense, Diego Souza deixou de fazer, aos 45 minutos, um gol cara-a-cara com o goleiro que daria a vitória e liderança, naquela ocasião. As outras duas, disputadas dentro de casa, também eram fundamentais e o time acabou tropeçando.
*³ Já contra o Atlético-MG, no último domingo, a equipe dominou durante todo o 1º tempo, justificando ser uma das candidatas ao troféu, caiu de produção no 2º e só melhorou com a expulsão de um jogador adversário. Nos próximos jogos, atletas importantes retornarão de lesões e suspensões, reforçando os vascaínos.

Botafogo (25%):

Santos ? x ? Botafogo
Botafogo 4 x 0 Ceará
Coritiba 5 x 0 Botafogo
Botafogo 1 x 1 Flamengo
Grêmio 0 x 1 Botafogo
Botafogo 2 x 2 São Paulo
Atlético-GO 2 x 0 Botafogo*²
Botafogo 2 x 2 Bahia
Corinthians 0 x 2 Botafogo
Botafogo 2 x 0 Atlético-PR

Forma: XVDEVEDEVV

*¹ O jogo contra o Santos foi adiado (era para ter acontecido na 21ª rodada) e só ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 19. O Alvinegro poderá assumir a liderança se vencer. Neymar voltará a jogar, após ter sido expulso na penûltima partida.
*² Assim como o Vasco, os botafoguenses também tem seus momentos de oscilação. No Couto Pereira, uma pesada derrota. No Serra Dourada, outra partida para esquecer. A perda por 2x0 poderia ter sido mais dilatada.
*³ Apesar disso, o Botafogo venceu o 1º colocado Corinthians, no Pacaembu, em uma atuação de gala. Caio Júnior, criticado por mexer mal, fez boas modificações na equipe, a qual respondeu bem e assegurou a vitória. Esse jogo chamou a atenção e, possivelmente, embalou de vez os cariocas. Junto com o rival Vasco da Gama, neste momento, são os candidatos que mais acredito que possam ser campeões.

Flamengo (7%):

Flamengo 1 x 3 Bahia
Corinthians 2 x 1 Flamengo
Flamengo 1 x 2 Atlético-PR
Botafogo 1 x 1 Flamengo
Atlético-MG 1 x 1 Flamengo
Flamengo 2 x 1 Américo-MG*²
São Paulo 1 x 2 Flamengo
Flamengo 3 x 2 Fluminense*³
Flamengo 1 x 1 Palmeiras
Ceará 0 x 1 Flamengo

Forma: DDDEEVVVEV

*¹ A partida do Flamengo contra o Atlético-MG foi a última de um longo jejum de vitórias, que durou 10 rodadas. O time que ficou por muito tempo invicto, passou a encarar uma realidade oposta àquela que conhecia.
*² Contra o América-MG, em casa, no final do jogo, o Rubro-Negro conquistou a tão esperada vitória. Os dois empates anteriores a esse confronto, que significavam "jogos sem vencer", agora significam "jogos sem perder", quando anexados às 5 partidas que os sucederam. São 4 vitórias e 1 empate. A invencibilidade parece ter voltado e o time está a apenas 3 pontos do líder. Vale lembrar que só o Flamengo de 2009 tirou uma diferença tão grande de pontos em tão pouco tempo.
*³ Pesando contra a campanha de 2009 estão as fracas exibições da equipe. O Fla-Flu foi um claro exemplo do que vem acontecendo com o Flamengo. É o típico caso do time que vence, mas não convence. No clássico foi assim. Com dois felizes chutes de longa distância de Bottinelli, o Fla virou sobre um Flu muito melhor, que dominou (para ler sobre o jogo, clique aqui). Resta saber se os flamenguistas continuarão, mesmo atuando mal, a vencer seus confrontos ou se cairão na mesma amarga seca que durou até a 25ª rodada.

Fluminense (8%):

Fluminense 3 x 2 Atlético-GO*¹
Cruzeiro 1 x 2 Fluminense
Fluminense 1 x 0 Corinthians
Bahia 3 x 0 Fluminense
Fluminense 3 x 1 Avaí
Atlético-PR 1 x 1 Fluminense
Fluminense 3 x 2 Santos
Flamengo 3 x 2 Fluminense*³
Fluminense 3 x 1 Coritiba
Palmeiras 1 x 2 Fluminense

Forma: VVVDVEVDVV

*¹ O jogo contra o Atlético-GO foi a afirmação do Fluminense no Brasileiro. O time que hora ganhava, hora perdia, venceu, dramaticamente, a 2ª seguida. Foram 3 gols no final do 2º tempo que garantiram a heróica vitória e renovaram a confiança nas Laranjeiras. Na sequência, o time venceria mais duas (4 vitórias consecutivas) e confirmaria de vez a sua candidatura ao título.
*² Contra o Bahia, uma quebra grotesca no desempenho do time. Um dia, definitivamente, para esquecer. Serve também de exemplo para as oscilação, como já foi falado anteriormente, dos postulantes à conquista do Campeonato. Uma forte e inesperada derrota.
*³ A outra foi enfrentando o Flamengo, maior rival. O Tricolor foi muito superior e não merecia perder. Esse jogo, porém, serve para mostrar como o Fluminense vem atuando bem. Como já foi dito, o Fla venceu, mas joga mal. O Flu perdeu, mas joga bem. É importante notar, também, que essas foram as únicas derrotas do Tricolor no 2º turno do Brasileiro. O time é, disparado, o líder dessa segunda metade da competição, com 25 pontos em 11 jogos. Atrás vem o Internacional, com 20.

São Paulo (1%):

Figueirense 1 x 2 São Paulo
São Paulo 2 x 1 Atlético-MG
Grêmio 1 x 0 São Paulo
São Paulo 4 x 0 Ceará
São Paulo 0 x 0 Corinthians*¹
Botafogo 2 x 2 São Paulo
São Paulo 1 x 2 Flamengo*²
Cruzeiro 3 x 3 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Internacional
Atlético-GO 3 x 0 São Paulo

Forma: VVDVEEDEED

*¹ O clássico contra o Corinthians marcou o início de uma série negra de resultados para o Tricolor Paulista. O time não vence há 6 rodadas. Foram 4 empates e 2 derrotas desde então.
*² Enfrentando o Flamengo, o Morumbi bateu o recorde de público entre todas as divisões do futebol brasileiro. O estádio recebeu 63.871 torcedores, que foram prestigiar a reestréia de Luis Fabiano. O Rubro-Negro estragou a festa e Fabuloso, aliás, para quem pensava que a volta do jogador impulsionaria de vez o time paulista, ele ainda não marcou um gol sequer com a camisa são-paulina. Chegou a perder um pênalti, inclusive. O São Paulo ainda não venceu com ele em campo.
*³ A confirmação da má fase do São Paulo veio na última rodada. A goleada sofrida para o Atlético-GO marcou a demissão do técnico Adilson Batista, que teve pouco mais de 45% de aproveitamento dos pontos disputados. Faltando 8 rodadas, a 6 pontos da liderança, sem treinador e sem vencer há um bom tempo, o Tricolor é, cada vez mais, uma carta fora do baralho na briga pelo título. É bem possível que fique fora da Libertadores de 2012.

Internacional (1%):

Ceará 1 x 1 Internacional
Internacional 4 x 2 América-MG
Palmeiras 0 x 3 Internacional
Internacional 1 x 1 Coritiba
Figueirense 1 x 1 Internacional
Internacional 2 x 1 Atlético-MG
Atlético-PR 2 x 0 Internacional
Internacional 3 x 0 Vasco da Gama
São Paulo 0 x 0 Internacional
Internacional 4 x 2 Avaí

Forma: EVVEEVDVEV

*¹ Nos últimos 10 jogos, uma única derrota teve o Internacional. Fora de casa, para o desesperado Atlético-PR. Essa foi a única vez que o time saiu derrotado no 2º turno do Brasileiro. O grande problema do Colorado na disputa pelo título é o número de empates que tem. Esses resultados é que afastam o Inter, 2º colocado nesta segunda metade de Brasileiro (20 pontos), do 1º posicionado Fluminense, que já fez 25 pontos neste turno.
*² Com 47 pontos conquistados ao todo, 7 atrás do líder, o Internacional precisaria vencer os 8 jogos restantes para atingir os 71 pontos, provavelmente, segundo cálculos de alguns matemáticos, necessários para a conquista do título. O time do Beira-Rio não deverá ser campeão. A probabilidade é mínima, mas ainda há uma chance. A Libertadores parece ser o sonho mais viável. O Colorado vive uma crescente no campeonato e está a 3 pontos do Fluminense, último da zona de classificação.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

TOP 10 de Brasil 2 x 1 México

Há cerca de 3 horas atrás, a Seleção Brasileira venceu o amistoso contra o México em Torreón, por 2x1, de virada. Os gols foram marcados por David Luiz (contra), Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Dentre os principais acontecimentos do jogo, fiz uma lista destacando 10 itens:

1) É, a cada amistoso, mais difícil defender as atuações de Daniel Alves. Sempre falhando muito, o lateral esquece na Espanha o futebol que joga no Barcelona e que o consagra na seleta lista dos melhores da posição. Hoje não foi diferente. Além de cometer um pênalti tolo, foi expulso na sequência por exagerar na reclamação. Incrível como um jogador com tantos títulos de bagagem na carreira pode cair na besteira de errar duplamente desta forma. O Brasil ficou com um a menos durante todo o jogo.

2) Jefferson vai se firmando. O goleiro do Botafogo pegou o pênalti (adiantou-se um pouco, mas pegou) e fez uma espetacular defesa após cabeceamento de Chicarito, no 2º tempo. Foi absolutamente fundamental para a virada. Na minha seleção seria titular no lugar de Júlio César.

3) Ronaldinho e Neymar não brilharam, mas foram (e são) importantes. O atacante santista se movimenta bem e parte para cima. Em uma dessas, descolou a falta cobrada com perfeição por R10. Mesmo apagado, sem brilhantismos, o meia acertou um chute de rara precisão e saiu aplaudido de pé pelo público mexicano.


4) Marcelo foi, novamente, absoluto na lateral-esquerda. Diferentemente do parceiro de seleção e rival no Espanhol que ocupa o outro flanco, o ex-jogador do Fluminense não deixa a menor dúvida de que é o dono da vaga. Até mesmo pela falta de concorrentes à altura. Fez o gol da virada.

5) Fernandinho não repetiu o bom jogo de sua última aparição com a amarelinha. O meio-campista não marcou bem e também não criou jogadas. Esse meio-campo é um dos setores que mais oscilam. Os volantes pouco se apresentam atrás para sair jogando e dar opções aos defensores e não costumam distribuir bem o jogo. Nesta tarefa, inclusive, Lucas Leiva tem desapontado. Seria bom ver Sandro, do Tottenham, disputar algumas partidas para avaliar seu desempenho. Os meus titulares seriam Sandro (dependendo de como jogasse) ou o ex-gremista Lucas para 1º volante e Hernanes para 2º.

6) Em determinados momentos o Brasil variava seu 4-2-3-1 para um 4-2-2-2, com (do meio para frente) Lucas Leiva e Fernandinho; Ronaldinho e Lucas; Neymar e Hulk, esses dois abertos, respectivamente, na esquerda e direita. Não gostei. Foi uma circunstância do jogo que deixou o time demasiadamente afunilado (e o setor central superlotado, com atletas muito próximos uns dos outros), para onde esse sistema tático, defeituosamente, acaba correndo.

7) Também não gostei do time sem uma referência no ataque. O sistema sem um jogador centralizado na frente acabou deixando Lucas perdido em campo. Neymar jogou na esquerda e Hulk, ao invés de fazer a função de centroavante, ficou na direita, sua posição no Porto-POR. A constante rotação dos dois atacantes desorientou o jovem são-paulino, que ainda não é um jogador formado. Ele foi mal. De qualquer forma foi um bom teste para observar que não é possível jogar com este trio nessas funções.

8) Já Hulk foi muito bem. O jogador teve boa movimentação, arriscou chutes a gol e deixou Neymar em condições de marcar, após lindo passe de letra. Foi o melhor da 1ª etapa e mostrou merecer estar na Seleção.


9) O número do item já diz tudo. O Brasil precisa de um camisa 9 e parece ter encontrado. Porém, Leandro Damião está lesionado. Se tivesse jogado no lugar de Lucas, poderia facilitar o trabalho dos outros atacantes (Neymar e Hulk), fazendo o papel de pivô. Neymar, destro, na esquerda, e Hulk, canhoto, na direita, poderiam buscar o Artilheiro do Brasil na hora de cortar para dentro, tabelar e finalizar a gol. Contudo, foi bom deixar Fred (em má fase) no banco para avaliar todos os jogadores. Amistoso é mesmo para tirar dúvidas.

10) A falha do bom zagueiro David Luiz, que marcou gol contra, pode pesar em detrimento de sua titularidade no time canarinho. Mano Menezes, ao não convocar Lúcio, disse que estava querendo avaliar mais uma vez o defensor do Chelsea com Thiago Silva, pois os dois vinham fazendo boa dupla no início de seu trabalho. Não achei que tenha sido uma falha tão grosseira assim. Foi mais uma infelicidade do que qualquer outra coisa. No entanto, nunca vi Dedé ter esse tipo de "infelicidade". Reserva na Inglaterra e, para mim, na Seleção também. Seria, no mínimo, interessante ver em ação a dupla Thiago Silva e Dedé junta.

Veja os gols:

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A injustificável fúria de Abelão no Fla-Flu

Melhor durante todo o jogo, o Fluminense, de virada, acabou levando a pior para o Flamengo no Fla-Flu de domingo: 3x2 para o Rubro-Negro. Revoltados, Abel Braga e seus comandados não pouparam críticas ao árbitro.


O Fluminense pressionava o rival e, de cabeça, chegou ao primeiro gol com Rafael Sóbis. Seguiu pressionando, esteve mais perto de fazer o 2º do que de levar o 1º, mas acabou sofrendo o empate, vindo dos pés de Thiago Neves, agora do outro lado. O Flu não desanimou, continuou soberano e ficou, novamente, na frente do placar com Lanzini, mais uma vez de cabeça. Foi então que Bottinelli começou seu show particular e comandou a virada. O meia argentino, de muito longe, acertou bela cobrança de falta. A bola bateu na trave, voltou no corpo de Diego Cavalieri e entrou. Cerca de 5 minutos depois, o mesmo jogador converteu um belo arremate de fora da área e deu números finais ao clássico carioca. Veja os melhores momentos:


A grande polêmica da partida, que rendeu tantas críticas, foi a falta que originou o 2º gol do Fla, a qual os tricolores atribuíram à má intenção do juiz, teoricamente interessado em beneficiar os flamenguistas. A falta, realmente, não existiu, mas não era um lance simples. Dependendo do ângulo, de fato, dava a impressão de ter acontecido a infração. De qualquer forma, se houvesse interesse real em beneficiar um dos lados, qual o sentido de assinalar uma falta de tão longa distância? As reclamações foram exageradas. Abaixo, uma das críticas do treinador:


Convenhamos, também, que a ira do Tricolor não foi com o árbitro, mas consigo mesmo. Era raiva por ter perdido um jogo que deveria ter vencido. Um jogo no qual foi melhor. Um jogo com a casa cheia. Um jogo contra o maior rival. Um jogo em que o Flamengo estava mutilado, sem Ronaldinho, Willians e Aírton, por exemplo. Um jogo que os lançaria fortes à candidatura para o título do Brasileiro. Um jogo que foi perdido em 5 minutos, com dois gols de muito longe. Um jogo em que esses gols foram marcados por um reserva, que entrou no início do 2º tempo. Um jogo que... "Chega!", diria um tricolor não suportando mais as vozes ecoando em sua cabeça. E assim ocorreu no domingo. Os tricolores não aguentaram a frustração da inexplicável perda e atacaram o lado mais frágil - a arbitragem - atribuindo à ela a culpa pelo fracasso.

Bottinelli comemora um de seus gols pelo Flamengo no domingo.
O que significa o resultado de domingo para os dois clubes:

Independente do placar desse jogo, as duas equipes ainda estão na briga pelo título. Claro que um se aproximou do líder e outro se afastou, mas ambos ainda estão na luta. Não quer dizer que serão campeões. E até acredito que, realmente, não sejam. Mas têm chances.

O Fluminense ficou a 7 pontos de diferença para o 1º colocado Corinthians, mas apresentou um bom futebol. Não ter vencido foi uma fatalidade. Certamente, se continuar a jogar bem, os resultados virão e, com eles, uma ascensão na tabela, levando o Tricolor a disputar o bicampeonato consecutivo. Vale ressaltar que o Flu é o líder do 2º turno, com 19 pontos conquistados.

Já o Flamengo, o oposto. O time não jogou bem, porém conseguiu os 3 pontos. E tem conseguido. O time de Vanderlei Luxemburgo vem crescendo em um momento crucial da competição e está a 4 pontos do Timão. O Rubro-Negro voltou a não perder. São 5 jogos sem ser derrotado: 2 empates e 3 vitórias (nos 3 últimos confrontos). Vale lembrar que o Flamengo de 2009 foi o único clube na história dos pontos corridos que conseguiu tirar uma diferença tão grande em tão pouco tempo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em quem pôr a culpa?

A rodada passou e a liderança foi embora. Torcedores mais exaltados e mais apreensivos a cada jogo, inconformados com outra derrota pesada do time que torcem (para ver todas elas, clique aqui), procuram os culpados pelo resultado negativo e esquecem-se da normalidade que é perder para o Internacional no Beira-Rio, um resultado já previsto na chamada classificação planejada.

A apenas um ponto de distância do líder, o Vasco (50) continua na briga pelo título do Brasileiro. Poderá perdê-lo. Mas também poderá ganhá-lo. Em caso de a conquista escapar, não será por conta do jogo de ontem ou de uma eventual derrota para o rival Flamengo na última rodada, como já especulam. Será por culpa daquele Vasco 1 x 1 Figueirense (4ª rodada), em São Januário, que teve gol de Aloísio aos 44' do 2º tempo. Será por culpa daquele Grêmio 1 x 1 Vasco (5ª rodada), com gol de Roberson aos 39' do 2º tempo. Será por culpa do 1x1, em casa, contra o Bahia (12ª rodada). E será por culpa de uma série de outros tropeços que um time que ambiciona a conquista nacional não pode ter. Um time com esse desejo não pode perder pontos para Figueirenses, Bahias e Américas (4x1), por exemplo.


"E o Vasco perdeu esses pontos por culpa do Cristóvão Borges, que não sabe mexer; Marcio Careca, que é o pior lateral-esquerdo do mundo; e Victor Ramos, reserva do Renato Silva", dirá esse mesmo grupo de torcedores exaltados com a emoção da derrota e cegueira da paixão pelo clube do coração.

Não foi por isso. O Vasco é, hoje, reconhecidamente, um time de futebol coletivo. Só quando o time inteiro vai bem, as qualidades individuais sobressaem, como já falava Ricardo Gomes. O time ganha e perde junto. Assim, seria injusto individualizar as responsabilidades.

Nota: Antes de prosseguir, uma pequena nota para críticos do interino. Cristóvão Borges assumiu o Vasco exatamente no início do 2º turno. Pegou o time quando era o 4º colocado, disputada toda a 1º parte do Brasileiro. Hoje, analisando-se apenas a tabela deste turno, o Vasco também é o 4º, da mesma maneira que Ricardo Gomes havia deixado. Somadas as campanhas dos dois turnos, o Cruzmaltino é o 2º na tabela.


Da mesma forma que Márcio Careca errou (e muito) contra o Corinthians, no 2x2 dentro de São Januário, rendendo-lhe sonoras vaias, Alecsandro - um dos heróis na final contra o Coritiba que rendeu o inédito título da Copa do Brasil - também falhou ao errar um tolo e inoportuno passe de calcanhar, que originou o 2º gol do rival, nesse mesmo duelo.

Diego Souza e Eder Luis, alguns dos pilares da boa campanha vascaína, erraram ao longo do Campeonato. O camisa 10 chutou os 3 pontos em cima do goleiro do Figueirense (23ª rodada), aos 45' do 2º tempo. O jogo acabou empatado por 1x1. Na 25ª, perdeu gol claro acertando a trave, de cabeça, no empate de 1x1 com o Atlético-GO, em São Januário. Nessa mesma partida, Eder Luis perdeu oportunidade claríssima de gol. Na sequência, Anselmo abriu o placar para o visitantes. Falha de marcação na zaga.

Até Dedé e Fernando Prass, que salvam diariamente o clube que defendem as cores, erraram. Naquela derrota de 3x0 para o Cruzeiro, em São Januário, o lance que originou o escanteio aconteceu após lambança de Prass. Na cobrança, falha de posicionamento defensivo. Já o 2º gol nasceu em cima do "Mito", em uma das raras vezes que foi batido (única que me recordo).

Quando o futebol do time flui, Diego Souza é capaz de se destacar e fazer 3 fantásticos gols, como ocorreu contra o Cruzeiro, em Sete Lagoas (3x0 para o Vasco). Ou contra o Santos, em São Januário, na vitória por 2x0 com um gol dele e outro de Dedé. Quando não flui, os mais habilidosos parecem apagar seus talentos com a bola e aprimorar outro tipo de dádiva, mais parecida com a camuflagem. Viram uma espécie de atores com medo do espetáculo e confundem-se com a grama, passando quase despercebidos pelo respeitável público.

O que acontece no Vasco não é única e exclusiva responsabilidade de A, B, C ou D. É resultado de um trabalho de todos. As obrigações ofensiva e defensiva começam onde está Fernando Prass e vão até Elton ou Alecsandro, de norte a sul do gramado. Espande-se de leste a oeste. Fazem parte das tarefas de cada jogador. A preocupação com a defesa começa no ataque e a mentalidade de atacar começa na defesa. No Vasco, como já dizia o jornalista e blogueiro Claudio Fernandez, é "um por todos e todos por Ricardo Gomes".

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Partidas nada fabulosas

No último domingo, às 16h00m, quando o São Paulo enfrentou o Flamengo, o Morumbi se agigantou para receber a reestréia de um de seus ídolos, Luis Fabiano, o qual também atende pelo nome de Fabuloso. Os torcedores do Tricolor lotaram o estádio, mas não gostaram do que viram, certamente. O Rubro-Negro derrotou os paulistas por 2x1 e o atacante teve discreta atuação.

Contratado em março deste ano por 7,6 milhões de euros, através de uma ousada estratégia montada pelo departamento de marketing do clube, o jogador acertou por 4 anos e teve 100% do seu passe comprado pelo São Paulo, que há tempos sonhava com esta contratação. No entanto, sua volta aos gramados só pode ocorrer neste mês de outubro, pois, desde 06 de março, quando ainda era atleta do Sevilla (onde jogava desde 2005), estava lesionado.




Hoje, contra o Cruzeiro, no empate de 3x3 em Sete Lagoas, o atacante perdeu um pênalti e escorregou na hora de tentar evitar o chute de Charles, no momento do 2º gol cruzeirense. Apesar de ter dado o passe para o gol de Cícero, o 1º do São Paulo, Luis Fabiano acabou saindo, novamente, com saldo negativo.

A qualidade de Luis Fabiano é, praticamente, indiscutível. Homem-chave da seleção brasileira na Era Dunga, 12º maior artilheiro da história são-paulina (119 gols em 160 jogos) e goleador em tempos de Sevilla. Natural uma quebra de ritmo. O atacante está se readaptando ao futebol brasileiro e voltando de uma longa lesão.

Porém, com o São Paulo disputando o título (3ª posição com 47 pontos) e passada a 28ª rodada, ou seja, faltando apenas mais 10 jogos para o campeão brasileiro ser conhecido, é essencial que o rendimento do jogador melhore o quanto antes. O Tricolor Paulista é extremamente dependente dos lampejos de brilhantismo da promessa-realidade Lucas e de Dagoberto, encobertos por um esquema com 3 volantes que os dá liberdade ofensiva. O último está, possivelmente, de saída do time paulista e tem sido especulado no Internacional. Dagol, inclusive, marcou nas duas últimas partidas, que contaram a participação de Fabuloso. O retorno do velho futebol de Luis Fabiano diminuiria a grande responsabilidade da dupla são-paulina e fortaleceria a candidatura ao título dos tricolores, em busca do hepta nacional.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cariocas prejudicados no Brasileiro

Na última quinta-feira, por volta de 11h00m, em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro - mais precisamente o Sheraton - Mano Menezes divulgou a lista dos convocados para os amistosos contra Costa Rica e México. Confira os selecionados:

Goleiros: Júlio César (Internazionale-ITA), Jefferson (Botafogo) e Neto (Fiorentina-ITA)
Zagueiros: Thiago Silva (Milan-ITA), David Luiz (Chelsea-ING), Dedé (Vasco da Gama) e Réver (Atlético-MG)
Laterais: Daniel Alves (Barcelona-ESP), Fábio (Manchester United-ING), Marcelo (Real Madri-ESP) e Adriano (Barcelona-ESP)
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool-ING), Fernandinho (Shakthar-UCR), Sandro (Tottenham-ING), Elias (Sporting-POR), Hernanes (Lazio-ITA) e Luiz Gustavo (Bayern de Munique-ALE)
Meias: Lucas (São Paulo), Oscar (Internacional) e Ronaldinho Gaúcho (Flamengo)
Atacantes: Neymar (Santos), Fred (Fluminense), Hulk (Porto-POR), Jonas (Valencia-ESP) e Kléber (Porto-POR)

Iniciada a coletiva, após a relação de jogadores chegar ao conhecimento da imprensa, Mano Menezes tratou, imediatamente, de esclarecer que, para não prejudicar em demasia os clubes no Campeonato Brasileiro, estava chamando, apenas, um jogador de cada time. Ao todo, 8 atletas que atuam no Brasil vindos de 8 equipes diferentes. Até aí tudo bem. À primeira vista, um pensamento bem razoável. Porém, à uma segunda análise, algumas polêmicas.

1) A ausência de jogadores do Corinthians:

O primeiro grande detalhe notado foi a ausência de corintianos na convocação. Normalmente chamados pelo treinador do Brasil, desta vez, nenhum foi incluído. Retirando o Timão, todos os 7 primeiros do Brasileirão tiveram um convocado, o que agrava as desconfianças de um possível favorecimento à equipe do Parque São Jorge, já que a mesma poderá jogar completa, enquanto os concorrentes ao título terão desfalques importantes.

Não creio que Mano tenha agido de má fé. A maioria dos jogadores de times brasileiros que foram lembrados merece estar na Seleção. Desta lista, poucos são os questionáveis. Diria que apenas dois: Réver e Fred.

Nota: Mano justificou que não convocou Lúcio para dar uma continuidade na Seleção a David Luiz, que, no início, vinha fazendo boa dupla com Thiago Silva. Segundo ele, não faria sentido convocar o veterano do Internazionale para que não jogasse. Assim, pode-se explicar a convocação de Réver, já que Dedé vem sendo lembrado.

Ralf, do Timão, vinha sendo chamado para substituir Sandro, do Tottenham-ING. Como o volante do clube inglês voltou de lesão, passou a ser chamado novamente, o que demonstra coerência por parte do treinador e explica a falta de atletas do time paulista na Seleção. De qualquer forma, é uma polêmica que poderia ter sido evitada.


2) O calendário do Brasileirão:

Esse sim é o pior, na minha opinião. Possivelmente, feito de má fé. Vasco, Botafogo e Flamengo jogarão, conforme a CBF divulgou, no dia 12 de outubro, ou seja, um dia após o amistoso contra o México (dia 11). Dessa forma, os atletas cedidos pelos 3 não terão tempo hábil de voltar aos seus clubes e disputar os jogos do Brasileirão. Já os outros 5 (São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Santos e Internacional) atuarão, somente, no dia 13, sendo possível a participação desses jogadores cedidos. Logo, o trio do Rio de Janeiro sai, claramente, prejudicado em relação aos demais e em um momento crucial da competição. Do Estado, só o Flu escapou.

Obviamente, a rodada deveria ser disputada no mesmo dia por todos. Jefferson perderá a partida contra o Corinthians, Ronaldinho ficará de fora do confronto com o Palmeiras e Dedé perderá o duelo com o Atlético-PR. Ricardo Teixeira vai ficar devendo uma explicação.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF: muito o que explicar.
Nota: O caso do goleiro botafoguense é ainda mais curioso, pois Mano Menezes convocou 3 jogadores para a posição. Dentre eles, Neto, da Fiorentina-ITA. O presidente Maurício Assumpção comentou sobre o assunto e faço minhas as palavras do mesmo:
— Questiono a decisão do Mano de levar três goleiros. Ele já está levando o Julio Cesar e, se quer testar aquele outro lá de fora (Neto), por que então chamou o Jefferson? Num momento importante, perco o meu goleiro em dois jogos decisivos (Bahia e Corinthians). Se é para ficar lá treinando, prefiro que treine aqui comigo.



Veja outras declarações:

José Hamilton Mandarino, vice de futebol do Vasco da Gama:

— Acho que esse critério, ou não critério, foi surpreendente. Estamos entrando num momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Alguns dos principais protagonistas contribuem com um jogador para a seleção, e a exceção fica por conta do Corinthians. Vou fazer uma crítica agora suave: acredito que houve uma enorme desatenção por parte do Mano Menezes.


Isaías Tinoco, gerente de futebol do Flamengo:

— Não estou sugerindo que o Mano Menezes é desonesto, mas acho que ele poderia evitar essa polêmica. O Corinhtians está sendo beneficiado e o Flamengo perde a sua principal peça

Peter Siemsen
, presidente do Fluminense (e único a não entrar na polêmica):

— Se o Corinthians não tivesse nenhum jogador convocado e o Mano levasse três do Fluminense, eu ficaria revoltado. Mas, como não é o caso, o Mano tem o meu apoio, embora eu admita que essa convocação enfraquece o elenco do Fluminense

A confirmação do calendário dos jogos foi feita em uma sexta-feira, dia 23/09. As declarações foram do dia 24/09. Daí, talvez, explique-se o comentário de Peter Siemsen, diferente dos demais, os quais criticaram a convocação. Embora eu ache que não, posso estar me equivocando.
 
E você, o que acha? Não estariam, realmente, os 3 times cariocas sendo prejudicados?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diego Souza e Borges

Faltando pouco tempo para que Mano Menezes anuncie a lista de convocados da seleção brasileira, dois nomes são fortes para aparecer pela primeira vez entre os selecionados do treinador: Diego Souza e Borges. Nos bastidores, a chamada da dupla é dada como certa.

Caso esses jogadores sejam, de fato, chamados, será uma recompensa pela boa temporada que vem fazendo. Diego Souza oscila muito no Vasco da Gama. Alterna partidas fracas, apagado - como a penúltima contra o Figueirense, na qual perdeu um gol incrível no fim do jogo - com momentos de genialidade, como ocorreu na última partida que colocou o Gigante da Colina na liderança. O meia-atacante foi crucial para a vitória de seu time. Até agora, no Brasileirão, o camisa 10 cruzmaltino fez 19 partidas (17 como titular), marcou 5 gols, levou dois cartões amarelos e 1 vermelho. Na Copa do Brasil, a qual foi decisivo, sobretudo, no jogo da Ressacada contra o Avaí, fez 3 gols em 9 jogos (todos como titular). Nessa competição não levou cartões.


Já Borges é um dos grandes destaques do Brasil. Desde que foi contratado pelo Santos para a disputa do Campeonato Brasileiro, o jogador participou de 21 partidas - todas elas como titular - e anotou impressionantes 18 gols. Uma média de, aproximadamente, 0,85 gol por partida. Recebeu um cartão amarelo. Pelo Grêmio, outro clube que defendeu neste ano, apareceu em 7 ocasiões na Copa Libertadores (todas titular), marcou 3 gols e recebeu um cartão vermelho direto, sem amarelo. No Campeonato Gaúcho foram 14 jogos (12 como titular) e 8 gols.


O maior problema na chamada de Borges para defender a Seleção, no entanto, é sua idade, considerada já avançada. O atacante, no dia 5 de outubro, daqui a exatas 2 semanas, fará 31 anos. Porém, com o futebol que o santista tem jogado, é impossível não lembrá-lo. Será a primeira vez que o jogador vestirá a amarelinha.

A convocação sai 11h00m, em um hotel no Rio de Janeiro. Além da lista para o Superclássico das Américas, que será disputado dia 28, em Belém, contra a Argentina, Mano Menezes divulgará uma segunda lista, com os convocados para enfrentar a Costa Rica, dia 7, e México, dia 11 de outubro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A seleção de Mano

Muito criticado por não estar conseguindo os resultados desejados e que o povo brasileiro se acostumou, Mano Menezes, certamente, não passa por um bom momento na Seleção. A nova polêmica envolvendo o treinador é a lista de convocados para o amistoso contra a Argentina, que será realizado no dia 14 de setembro, em Córdoba.
Mano Menezes: a cada dia mais criticado. Desta vez, a causa foi a lista de convocados divulgada após a vitória sobre Gana, por 1x0.

O técnico da Amarelinha deixou de fora alguns jogadores que vem se destacando por seus clubes e estão, há tempos, sendo cotados para atuar internacionalmente pelo Brasil. É o caso, por exemplo, de Elkeson (Botafogo), Willians (Flamengo), Arouca (Santos) e Borges (Santos). Em contrapartida, Mano convocou atletas que poucos esperavam, como Renato Abreu (Flamengo) e Cícero (São Paulo). Confira abaixo a lista completa:

Goleiros: Fábio (Cruzeiro), Rafael (Santos) e Jefferson (Botafogo)
Laterais: Bruno Cortês (Botafogo), Mario Fernandes (Grêmio), Kleber (Internacional) e Danilo (Santos)
Zagueiros: Rhodolfo (São Paulo), Réver (Atlético), Dedé (Vasco da Gama) e Henrique (Palmeiras)
Volantes: Casemiro (São Paulo), Paulinho (Corinthians), Ralf (Corinthians) e Rômulo (Vasco da Gama)
Meais:
Renato Abreu (Flamengo), Ronaldinho Gaúcho (Flamengo), Thiago Neves (Flamengo), Oscar (Internacional), Lucas (São Paulo) e Cícero (São Paulo)
Atacantes: Fred (Fluminense), Leandro Damião (Internacional) e Neymar (Santos)

A partir dos selecionados, pode-se fazer inúmeras indagações a respeito do treinador do Brasil. Se a proposta de Mano Menezes é renovar a seleção do país, por que Renato Abreu, 33, e Kléber, 31, figuram entre os convocados? Qual o motivo de Fred estar na seleção se Rafael Sóbis e Rafael Moura, seus companheiros de clube, estão fazendo mais gols no Brasileirão? Por que Henrique, que acabou de chegar no Palmeiras, foi chamado se Thiago Heleno tem se destacado mais? Por que convocar apenas 3 atacantes se o Brasil joga com esquemas muito ofensivos, como 4-3-3 e 4-2-3-1? Essas são apenas algumas das muitas questões possíveis, mas nenhuma delas é a mais importante.

Por que convocar para um amistoso (leia-se "um treino", "uma possibilidade de testar atletas e formações passíveis de melhorar as exibições fracas que o time tem feito") jogadores que nunca mais irão vestir a camisa do Brasil? O que os brasileiros e o próprio Mano Menezes ganham com isso? Esses sim são os questionamentos mais importantes.

A idéia de fazer uma competição clássica contra os hermanos é boa. Chamar jogadores que atuam no Brasil também. Porém, há atletas convocados que, obviamente, não possuem condição de ter sequência na seleção. Enquanto isso ocorrer, o time de Mano continuará sem cara, corpo e alma. São 14 jogos e apenas 19 gols marcados. Muito pouco para uma equipe que costuma jogar com 3 atacantes. Alguma coisa deve estar errada, não acha?