sábado, 8 de outubro de 2011

Jogo surpreendentemente fraco, mas placar previsível

De todas as surpresas da vitória brasileira por 1x0 sobre a Costa Rica nesta noite, o magro placar é a menor delas. A Seleção de Mano Menezes tem míseros 22 gols em 17 jogos. Média de 1,3 gol por jogo. E não fosse por um momento de oportunismo de Neymar, que acreditou na jogada que Fred não conseguiu concluir, a média seria ainda menor, impossibilitando-me de arredondar o 1,29 para o número acima citado.

O que muito chamou a atenção foram os 45 minutos de "1 toque" entre David Luiz e Thiago Silva. A dupla de zaga parece que buscava se entrosar na 1ª etapa e praticar fundamentos. Sem opções de jogo, já que os laterais não apareciam e os volantes (Ralf e Luiz Gustavo) não iam buscar jogo, os dois defensores trocavam passes atrás até a exaustão. Ficaram ótimos. Sozinhos, talvez, tenham batido o time do Barcelona neste quesito. Em relação ao entrosamento, ficaram devendo, principalmente, nas bolas paradas. Em escanteio para o Brasil, na hora de trocar de posições - em jogada mal ensaiada) - acabaram se esbarrando e caindo. Thiago Silva permaneceu no chão e precisou de assistência médica.









Os apagados Ronaldinho e Lucas sobrecarregaram o nervoso Neymar, que chegou aos 8 gols com a camisa amarelinha. Este voltava até o meio-campo para buscar jogo, mas, sozinho, parava na marcação adversária. O atacante sofria inúmeras faltas, valorizava e revidava. Por duas vezes - e por 2 motivos - o jovem do Santos levou a mão ao rosto de um jogador costa-riquenho. A primeira razão era o número excessivo de infrações que recebia. A segunda, provavelmente, era a irritação de ver o seu jogo não fluir.

A etapa inicial foi tão fraca que Mano Menezes promoveu alterações no intervalo, o que não é muito habitual. Luiz Gustavo deu lugar a Hernanes e Lucas, o qual arriscou um chute de longe que beirou o ridículo, em um dos raros momentos que pegou na bola, saiu para entrada de Oscar. As mudanças foram boas, mas não surtiram o efeito desejado. Os primeiros 15 minutos pareciam um prolongamento da metade anterior da partida.

Quem também acabou entrando foi Daniel Alves. Fábio, o lateral que mais aparecia (e mesmo assim não era muito), saiu lesionado dando lugar ao titular da posição. A entrada do jogador do Barcelona melhorou um pouco o time brasileiro, que passou a ter mais opções de jogadas pelos flancos. De seus pés saiu o único gol do amistoso. Adriano, lateral-esquerdo, errava mais do que acertava.




Após o primeiro tento convertido, o Brasil esteve próximo do 2º. Ronaldinho, menos sumido, optou por cruzar a tentar finalizar e mandou na cabeça de Fred. Este, sem equilíbrio, quase anotou o seu, mas o goleiro evitou. Na sequência, Neymar acertou o travessão. No mais, as lembranças dos momentos finais desta fraca atuação são a tentativa de homicídio praticada por Mora em cima de Jonas, que lhe rendeu um cartão vermelho, e os tolos cartões amarelos recebidos por Daniel Alves e Oscar, já no apagar das luzes de um amistoso contra a Costa Rica. Parabéns para a Seleção, que chegou à 2ª vitória seguida, o que não acontecia há 1 ano.

Veja os melhores momentos:

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Partidas nada fabulosas

No último domingo, às 16h00m, quando o São Paulo enfrentou o Flamengo, o Morumbi se agigantou para receber a reestréia de um de seus ídolos, Luis Fabiano, o qual também atende pelo nome de Fabuloso. Os torcedores do Tricolor lotaram o estádio, mas não gostaram do que viram, certamente. O Rubro-Negro derrotou os paulistas por 2x1 e o atacante teve discreta atuação.

Contratado em março deste ano por 7,6 milhões de euros, através de uma ousada estratégia montada pelo departamento de marketing do clube, o jogador acertou por 4 anos e teve 100% do seu passe comprado pelo São Paulo, que há tempos sonhava com esta contratação. No entanto, sua volta aos gramados só pode ocorrer neste mês de outubro, pois, desde 06 de março, quando ainda era atleta do Sevilla (onde jogava desde 2005), estava lesionado.




Hoje, contra o Cruzeiro, no empate de 3x3 em Sete Lagoas, o atacante perdeu um pênalti e escorregou na hora de tentar evitar o chute de Charles, no momento do 2º gol cruzeirense. Apesar de ter dado o passe para o gol de Cícero, o 1º do São Paulo, Luis Fabiano acabou saindo, novamente, com saldo negativo.

A qualidade de Luis Fabiano é, praticamente, indiscutível. Homem-chave da seleção brasileira na Era Dunga, 12º maior artilheiro da história são-paulina (119 gols em 160 jogos) e goleador em tempos de Sevilla. Natural uma quebra de ritmo. O atacante está se readaptando ao futebol brasileiro e voltando de uma longa lesão.

Porém, com o São Paulo disputando o título (3ª posição com 47 pontos) e passada a 28ª rodada, ou seja, faltando apenas mais 10 jogos para o campeão brasileiro ser conhecido, é essencial que o rendimento do jogador melhore o quanto antes. O Tricolor Paulista é extremamente dependente dos lampejos de brilhantismo da promessa-realidade Lucas e de Dagoberto, encobertos por um esquema com 3 volantes que os dá liberdade ofensiva. O último está, possivelmente, de saída do time paulista e tem sido especulado no Internacional. Dagol, inclusive, marcou nas duas últimas partidas, que contaram a participação de Fabuloso. O retorno do velho futebol de Luis Fabiano diminuiria a grande responsabilidade da dupla são-paulina e fortaleceria a candidatura ao título dos tricolores, em busca do hepta nacional.

VÍDEO: Kajuru entrevista Romário

Depois de uma longa e interessante entrevista há muitos anos atrás, na qual Romário não fugiu uma única vez das perguntas feitas pelo entrevistador Kajuru, o Baixinho foi, novamente, entrevistado pelo jornalista. Muitas coisas mudaram de lá para cá, mas a espontaneidade e sinceridade nas respostas do tretacampeão mundial continuam o mesmo. Veja alguns tópicos:


1) Ricardo Teixeira:

Polêmico, o agora deputado acabou com o antigo segredo (que não quis contar na última entrevista) sobre Ricardo Teixeira e sua não chamada para a Copa do Mundo de 2002:

- Não posso guardar esse segredo, porque, comigo, ele não cumpriu com as coisas que ele falou. Ele apertou a minha mãe e falou que eu iria à Copa do Mundo. Eu perguntei a ele: "Presidente, o treinador é o Felipão". E ele falou para mim: "Mas quem manda sou eu". Então tá bom. Vou acreditar na sua palavra. E segundo ele, o motivo que ele ficou com raiva, aborrecido, é que ele achou que eu tivesse combinado com a Rede Globo para ir lá, no final do encontro, para a Rede Globo dar esse furo. Então, no dia da convocação, ele falou para o Felipão: "Fica à vontade, faz a convocação que você quiser".

2) Mano Menezes e Zagallo:

O ex-jogador disse acreditar na competência do atual comandante do Brasil e não poupou críticas ao Velho-Lobo:

- Em relação ao técnico, eu acredito que o Mano seja um bom técnico, como muitos outros na Seleção foram e alguns ruins foram também e conseguiram ser campeões do mundo. Zagallo, por exemplo. Como treinador, na minho opinião, foi um dos mais fracos que já tive. Como treinador, nunca me disse nada. Em relação ao Mano, eu vejo como um bom treinador. Tem feito umas convocações que 80% a 90% desses jogadores eu também convocaria.

3) Copa do Mundo de 2014:

Romário disse que a Copa no Brasil não será para o povo brasileiro. Segundo o jogador, o preço exorbitante dos ingressos para assistir aos jogos Mundial dificultarão a presença dos brasileiros que, realmente, amam o esporte, presentes, sobretudo, nas classes C, D e E. O deputado falou dos altos custos das obras que não se justificam e criticou, ainda, a falta de investimentos na educação e saúde, em oposição aos investimentos bilionários das construções para a Copa. O quase fechamento do Instituto Benjamin Constant não passou despercebido.

4) Ronaldo Fenômeno:

Sobre Ronaldo, Romário disse não ser amigo, mas não ter nada contra o Fenômeno:

- A gente nunca foi amigo, mas está longe de ser inimigo. A gente se fala pouco. Ele tem a vida dele em São Paulo, eu tenho a minha vida aqui em Brasília, no Rio... Sempre quando a gente se vê, a gente se cumprimenta. Não tenho nada para falar dele.

5) Edmundo:

A relação de amor e ódio com o ídolo vascaíno também foi citada:

- Eu posso dizer que o Edmundo, chegou uma época da minha vida, que eu poderia dizer que foi o único grande jogador de futebol que eu poderia dizer que foi meu amigo. Hoje a gente não tem mais essa amizade, mas os problemas que a gente teve já foram resolvidos entre a gente. Tá tudo certo.

6) Os melhores jogadores da história

Questionado sobre a lista dos melhores jogadores de futebol de toda a história, se havia alguma mudança em relação à lista de 7 anos atrás, a modéstia de Romário diminuiu um pouco. Antes o 3º da lista, o Baixinho subiu uma posição:

- Pelé, Romário, Maradona... Depois daqueles 7 anos eu fiz mais gols, tive mais títulos, então eu posso me colocar depois do Pelé, com todo o respeito. Na minha opinião, com todo o respeito, sou eu.

Veja, abaixo, a entrevista completa:


Abaixo, para comparar, a entrevista de 7 anos atrás:

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O futuro de Torres

Gol incrível perdido, expulsão e fracas atuações. Esse é o início de Fernando Torres com a camisa do Chelsea. Contratado por 58 milhões de euros junto ao Liverpool, na janela de transferências de janeiro deste ano, o jogador espanhol ainda não justificou a quantia milionária paga por Abramovich, proprietário do time londrino. O russo tornou El Niño a sexta mais cara contratação da história do futebol mundial. Antes, o atacante já havia movimentado 38 milhões (de euros) ao tranferir-se do Atlético de Madri para a equipe da Terra dos Beatles.

Fernando Torres, com a camisa dos "blues" no Campeonato Inglês, já fez 23 jogos (14 como titular). Foram apenas 3 gols marcados (1 na temporada 2010/11 e 2 na temporada 2011/12 ). Nesta temporada, participou de 7 partidas (6 vezes titular), mas em apenas 2 ocasiões atuou durante todos os 90 minutos. Em sua melhor partida, contra o Manchester United, derrubou sua boa participação ao perder um gol inacreditável, depois de ter driblado o goleiro. Pela Premier League, contra o Swansea, marcou mais um, mas foi expulso em seguida. Na Copa dos Campeões, ao todo, já foram 5 jogos (4 como titular) e nenhum gol.


Mesmo sem convencer, o Chelsea parece determinado a extrair o melhor do El Niño e fazê-lo repetir as vitoriosas passagens que teve em seus últimos clubes. Ele continua entre os titulares de Stamford Bridge. No entanto, as especulações em torno do futuro do atacante começam a surgir.

1) Há rumores, na imprensa italiana, de que o espanhol poderia ser trocado por Robinho, do Milan-ITA. Já na Inglaterra, a informação é praticamente a mesma, porém o nome mais forte para uma possível troca é de Alexandre Pato. O ex-santista teve uma apagada passagem pelo Manchester City e é visto sob desconfiança.

2) Mario Gomez, atacante do Bayern de Munique, seria o preferido de Villas-Boas para a vaga de Torres. Segundo a imprensa, o treinador portugês estaria preparando uma oferta de 40 milhões de euros pelo internacional da Alemanhã. A investida seria feita em janeiro, quando a janela reabre.

Super Mario foi comprado por 30 milhões de euros, junto ao Stuttgart, em agosto de 2009. Só nesta temporada, entrou em campo 11 vezes e marcou 12 gols, contando jogos da Bundesliga, Copa dos Campeões e Copa da Alemanha. Temporada passada, nas mesmas competições, em 45 jogos (37 como titular) marcou 39 gols. Números impressionantes. Ainda mais se comparados aos de Fernando Torres.

A contratação do alemão pode ser, também, uma solução para o ataque do Chelsea. El Niño não é jogador de referência como Mario Gomez é. Ele atua melhor quando tem liberdade para cair pelos lados do campo, o que não ocorre com o estilo de jogo de Villas-Boas. O técnico tem utilizado jogadores abertos pelos lados do campo, criando a necessidade de Torres ficar centralizado no ataque, como referência para a equipe.


Próximo jogo da Premier League, El Niño estará fora, cumprindo suspensão. Com todo o esforço dos "blues" em fazer o espanhol render seu melhor, talvez Torres não saia. Uma série de boas exibições pode (e deve) assegurar seu lugar em Stanford Bridge. Não acredito que ele vá sair do Chelsea em janeiro, mas, no momento, com a fase em que se encontra, não parece ser exagero especular uma possível transferência do atacante, não acha?

Cariocas prejudicados no Brasileiro

Na última quinta-feira, por volta de 11h00m, em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro - mais precisamente o Sheraton - Mano Menezes divulgou a lista dos convocados para os amistosos contra Costa Rica e México. Confira os selecionados:

Goleiros: Júlio César (Internazionale-ITA), Jefferson (Botafogo) e Neto (Fiorentina-ITA)
Zagueiros: Thiago Silva (Milan-ITA), David Luiz (Chelsea-ING), Dedé (Vasco da Gama) e Réver (Atlético-MG)
Laterais: Daniel Alves (Barcelona-ESP), Fábio (Manchester United-ING), Marcelo (Real Madri-ESP) e Adriano (Barcelona-ESP)
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool-ING), Fernandinho (Shakthar-UCR), Sandro (Tottenham-ING), Elias (Sporting-POR), Hernanes (Lazio-ITA) e Luiz Gustavo (Bayern de Munique-ALE)
Meias: Lucas (São Paulo), Oscar (Internacional) e Ronaldinho Gaúcho (Flamengo)
Atacantes: Neymar (Santos), Fred (Fluminense), Hulk (Porto-POR), Jonas (Valencia-ESP) e Kléber (Porto-POR)

Iniciada a coletiva, após a relação de jogadores chegar ao conhecimento da imprensa, Mano Menezes tratou, imediatamente, de esclarecer que, para não prejudicar em demasia os clubes no Campeonato Brasileiro, estava chamando, apenas, um jogador de cada time. Ao todo, 8 atletas que atuam no Brasil vindos de 8 equipes diferentes. Até aí tudo bem. À primeira vista, um pensamento bem razoável. Porém, à uma segunda análise, algumas polêmicas.

1) A ausência de jogadores do Corinthians:

O primeiro grande detalhe notado foi a ausência de corintianos na convocação. Normalmente chamados pelo treinador do Brasil, desta vez, nenhum foi incluído. Retirando o Timão, todos os 7 primeiros do Brasileirão tiveram um convocado, o que agrava as desconfianças de um possível favorecimento à equipe do Parque São Jorge, já que a mesma poderá jogar completa, enquanto os concorrentes ao título terão desfalques importantes.

Não creio que Mano tenha agido de má fé. A maioria dos jogadores de times brasileiros que foram lembrados merece estar na Seleção. Desta lista, poucos são os questionáveis. Diria que apenas dois: Réver e Fred.

Nota: Mano justificou que não convocou Lúcio para dar uma continuidade na Seleção a David Luiz, que, no início, vinha fazendo boa dupla com Thiago Silva. Segundo ele, não faria sentido convocar o veterano do Internazionale para que não jogasse. Assim, pode-se explicar a convocação de Réver, já que Dedé vem sendo lembrado.

Ralf, do Timão, vinha sendo chamado para substituir Sandro, do Tottenham-ING. Como o volante do clube inglês voltou de lesão, passou a ser chamado novamente, o que demonstra coerência por parte do treinador e explica a falta de atletas do time paulista na Seleção. De qualquer forma, é uma polêmica que poderia ter sido evitada.


2) O calendário do Brasileirão:

Esse sim é o pior, na minha opinião. Possivelmente, feito de má fé. Vasco, Botafogo e Flamengo jogarão, conforme a CBF divulgou, no dia 12 de outubro, ou seja, um dia após o amistoso contra o México (dia 11). Dessa forma, os atletas cedidos pelos 3 não terão tempo hábil de voltar aos seus clubes e disputar os jogos do Brasileirão. Já os outros 5 (São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Santos e Internacional) atuarão, somente, no dia 13, sendo possível a participação desses jogadores cedidos. Logo, o trio do Rio de Janeiro sai, claramente, prejudicado em relação aos demais e em um momento crucial da competição. Do Estado, só o Flu escapou.

Obviamente, a rodada deveria ser disputada no mesmo dia por todos. Jefferson perderá a partida contra o Corinthians, Ronaldinho ficará de fora do confronto com o Palmeiras e Dedé perderá o duelo com o Atlético-PR. Ricardo Teixeira vai ficar devendo uma explicação.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF: muito o que explicar.
Nota: O caso do goleiro botafoguense é ainda mais curioso, pois Mano Menezes convocou 3 jogadores para a posição. Dentre eles, Neto, da Fiorentina-ITA. O presidente Maurício Assumpção comentou sobre o assunto e faço minhas as palavras do mesmo:
— Questiono a decisão do Mano de levar três goleiros. Ele já está levando o Julio Cesar e, se quer testar aquele outro lá de fora (Neto), por que então chamou o Jefferson? Num momento importante, perco o meu goleiro em dois jogos decisivos (Bahia e Corinthians). Se é para ficar lá treinando, prefiro que treine aqui comigo.



Veja outras declarações:

José Hamilton Mandarino, vice de futebol do Vasco da Gama:

— Acho que esse critério, ou não critério, foi surpreendente. Estamos entrando num momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Alguns dos principais protagonistas contribuem com um jogador para a seleção, e a exceção fica por conta do Corinthians. Vou fazer uma crítica agora suave: acredito que houve uma enorme desatenção por parte do Mano Menezes.


Isaías Tinoco, gerente de futebol do Flamengo:

— Não estou sugerindo que o Mano Menezes é desonesto, mas acho que ele poderia evitar essa polêmica. O Corinhtians está sendo beneficiado e o Flamengo perde a sua principal peça

Peter Siemsen
, presidente do Fluminense (e único a não entrar na polêmica):

— Se o Corinthians não tivesse nenhum jogador convocado e o Mano levasse três do Fluminense, eu ficaria revoltado. Mas, como não é o caso, o Mano tem o meu apoio, embora eu admita que essa convocação enfraquece o elenco do Fluminense

A confirmação do calendário dos jogos foi feita em uma sexta-feira, dia 23/09. As declarações foram do dia 24/09. Daí, talvez, explique-se o comentário de Peter Siemsen, diferente dos demais, os quais criticaram a convocação. Embora eu ache que não, posso estar me equivocando.
 
E você, o que acha? Não estariam, realmente, os 3 times cariocas sendo prejudicados?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diego Souza e Borges

Faltando pouco tempo para que Mano Menezes anuncie a lista de convocados da seleção brasileira, dois nomes são fortes para aparecer pela primeira vez entre os selecionados do treinador: Diego Souza e Borges. Nos bastidores, a chamada da dupla é dada como certa.

Caso esses jogadores sejam, de fato, chamados, será uma recompensa pela boa temporada que vem fazendo. Diego Souza oscila muito no Vasco da Gama. Alterna partidas fracas, apagado - como a penúltima contra o Figueirense, na qual perdeu um gol incrível no fim do jogo - com momentos de genialidade, como ocorreu na última partida que colocou o Gigante da Colina na liderança. O meia-atacante foi crucial para a vitória de seu time. Até agora, no Brasileirão, o camisa 10 cruzmaltino fez 19 partidas (17 como titular), marcou 5 gols, levou dois cartões amarelos e 1 vermelho. Na Copa do Brasil, a qual foi decisivo, sobretudo, no jogo da Ressacada contra o Avaí, fez 3 gols em 9 jogos (todos como titular). Nessa competição não levou cartões.


Já Borges é um dos grandes destaques do Brasil. Desde que foi contratado pelo Santos para a disputa do Campeonato Brasileiro, o jogador participou de 21 partidas - todas elas como titular - e anotou impressionantes 18 gols. Uma média de, aproximadamente, 0,85 gol por partida. Recebeu um cartão amarelo. Pelo Grêmio, outro clube que defendeu neste ano, apareceu em 7 ocasiões na Copa Libertadores (todas titular), marcou 3 gols e recebeu um cartão vermelho direto, sem amarelo. No Campeonato Gaúcho foram 14 jogos (12 como titular) e 8 gols.


O maior problema na chamada de Borges para defender a Seleção, no entanto, é sua idade, considerada já avançada. O atacante, no dia 5 de outubro, daqui a exatas 2 semanas, fará 31 anos. Porém, com o futebol que o santista tem jogado, é impossível não lembrá-lo. Será a primeira vez que o jogador vestirá a amarelinha.

A convocação sai 11h00m, em um hotel no Rio de Janeiro. Além da lista para o Superclássico das Américas, que será disputado dia 28, em Belém, contra a Argentina, Mano Menezes divulgará uma segunda lista, com os convocados para enfrentar a Costa Rica, dia 7, e México, dia 11 de outubro.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Internazionale de Gasperini

Já faz quase 2 meses que o Inter de Milão não sabe o que é vencer. A última vitória foi no dia 30 de julho, por 2x0, contra o Celtic, em um jogo amistoso. Considerando, apenas, os confrontos válidos por competições nacionais ou européias, tem quase 4 meses (dia 29/05, por 3x1, contra o Palermo). Desconsiderando os amistosos, o time ainda não venceu na temporada e amarga um início catastrófico sob o comando de Gasperini, que adotou o esquema 3-4-3. São 4 derrotas e 1 empate.

30/07 - Amistoso: Internazionale 2 x 0 Celtic
31/07 - Amistoso: Internazionale 0 x 3 Manchester City
06/08 - Supercopa da Itália: Internazionale 1 x 2 Milan
21/08 - Amistoso: Internazionale 2 x 2 Olympiakos
11/09 - Série A: Palermo 4 x 3 Internazionale
14/09 - Copa dos Campeões: Internazionale 0 x 1 Trabzonspor
17/09 - Série A: Internazionale 0 x 0 Roma
20/09 - Série A: Novara 3 x 1 Internazionale

Sob forte pressão, Gasperini não deve durar até a próxima partida do Internazionale.
No jogo de ontem, contra o Novara, os titulares do treinador foram: Júlio César; Chivu, Ranocchia e Lúcio; Nagatomo, Sneijder, Cambiasso e Zanetti; Forlán, Milito e Castaignos. O esquema foi o mesmo das últimas partidas, o 3-4-3. Aquele que Guardiola utilizou contra o Villarreal. A única diferença é que no Barcelona deu certo e no Inter não.

Em um 3-4-3 bem jogado, o zagueiro do centro, o jovem Ranocchia, no caso, contratado por 12,5 milhões de euros junto ao Genoa, jogaria um pouco mais recuado que os demais (na cobertura), os quais avançariam um pouco para marcar à frente. Ou o contrário. O mesmo Ranocchia poderia avançar um pouco, como se fosse um cabeça-de-área, e deixar os outros dois (Chivu, na esquerda, e Lúcio, na direita) mais recuados. Não foi isso que aconteceu. Os 3 defensores jogavam em linha e, constantemente, levavam bola nas costas (linha defensiva alta). O goleiro Júlio César era quem tinha que se antecipar e fazer o papel de líbero para cobrir os espaços deixados atrás de sua zaga.

O meio-campo do Barcelona que obteve sucesso foi formado em losango, com Keita mais atrás protegendo a zaga. Fàbregas na esquerda, T. Alcântara na direita e Iniesta à frente. No Inter, as mesmas funções deveriam ficar distribuídas, respectivamente, para Cambiasso, Nagatomo, Zanetti e Sneijder. No entanto, os jogadores do time italiano não tiveram a mesma facilidade que os barcelonistas de se adequar às novas funções, o que evidencia o grande trabalho que Guardiola vem fazendo. Em um esquema que a capacidade de desempenhar várias funções é imprescindível, o Internazionale não se mostra capaz de ir adiante. Seu elenco não está acostumado à tanta versatilidade. Já o Barça vem implantando essa filosofia há alguns anos até que atingiu o nível exemplificado na estréia do Espanhol.

A falta de entrosamento foi notável. A equipe errava muitos passes e não criava jogadas de perigo. No gol, foram 9 finalizações do Novara contra 2 do Internazionale. O time estava completamente desorganizado em campo com a formação adotada.

A dupla de "volantes" Sneijder e Cambiasso parecia perdida. Os dois erravam muitos passes e não sabiam onde se posicionar. O primeiro não conseguia nem marcar, nem criar as jogadas. Enquanto isso, o esquema 4-3-3 do adversário dava muito trabalho. Com 3 atacantes - dois deles bem abertos (Marimoto e Meggiorini) - o Novara criava situações de um contra um e explorava bem a linha defensiva alta adversária. Observe nos melhores momentos abaixo:


É perceptível, também, a incapacidade dos meias que ocupam as pontas de cobrir os flancos. Assim, as laterais se tornavam avenidas propícias para os adversários atacarem, originando situações de perigo. O 3º gol, originado na direita, em jogada de Marimoto é um claro exemplo. Nagatomo e Zanetti não acompanhavam o suficiente e o trabalho de marcação estava sobrecarregado em cima dos meias centrais, os quais não conseguiam se encaixar. O inter ficou em inferioridade numérica no ataque, meio e defesa, pois o rival era muito mais organizado defensiva e ofensivamente. Veja na foto abaixo como Sneijder e Cambiasso retornam sobrecarregados. Os jogadores dos flancos não chegam nem a aparecer na foto. Ao mesmo tempo, Lúcio (o zagueiro que está mais em cima da imagem) está muito longe do atacante na entrada da área.


Com a série de resultados ruins e o time jogando mal (8 jogos, 15 gols sofridos, 9 marcados), perdendo para um modesto Novara, que não atuava na Série A desde a década de 50, e - em casa - para o Trabzonspor, parece muito provável que Gasperini mude a tática da equipe, pois está óbvio que seus comandados não estão respondendo da forma correta sob esta formação. Isso, é claro, se ele durar até a próxima partida. E parece provável que não dure. Como o próprio Moratti falou: "Gasperini não tem o time na mão".